Mia Rose: “Não dei muita atenção ao casamento porque este álbum é o meu bebé”

Mia Rose

Quando, há 10 anos, Mia Rose publicou o primeiro vídeo no YouTube, a cantar a música Beautiful Disaster, da norte-americana Kelly Clarkson, estava longe de imaginar o que se seguiria. Em pouco tempo tornou-se na artista com mais subscrições em Portugal e no Reino Unido, em simultâneo, e foi notícia em artigos de revistas e jornais internacionais como a Rolling Stone e o The Sun.

No final de 2010 lançou um livro, intitulado Mia Rose – 15 passos para ser uma estrela na música. Nos últimos anos, em Portugal, foi protagonista da série da TVI I Love It e deu voz a várias personagens de filmes de animação como Lorax, Trolls e, mais recentemente, Bailarina. Esta sexta-feira, dia 19 de maio, concretiza um dos seus maiores sonhos: lançar o primeiro álbum de originais.

Em entrevista ao Delas.pt, Mia Rose conta por que razão decidiu contrariar a tendência das suas primeiras músicas e lançar um álbum em português. Falou também do casamento com Miguel Cristovinho, da música que escreveu com Diogo Piçarra para dedicar à avó que perdeu recentemente e da forte ligação que tem com as áreas da moda e beleza, que deram origem ao blogue La Sonatina.

Esta sexta-feira, dia 19 de maio, sai o seu primeiro álbum, um trabalho que andava a prometer há alguns anos. Por que demorou tanto tempo a sair? Foi por opção ou dificuldades no processo de produção?

O processo não foi difícil, foi a parte mais libertadora para mim, cresci como artista e como pessoa. Ia sempre aperfeiçoando, ser perfeccionista é um grande defeito meu, achava sempre que ainda não estava pronto. Não senti necessidade de ir ao encontro daquilo que as pessoas queriam, mas sim da minha necessidade em encontrar-me enquanto pessoa e artista. E ainda bem que o fiz porque se o tivesse lançado há mais tempo tinha lançado um álbum todo em inglês. Assim fui usufruindo da nossa linguagem, da nossa língua portuguesa que é linda de morrer. Fui aprendendo muitas coisas, trabalho com pessoas inacreditáveis do panorama musical português e agora tenho um álbum do qual me orgulho a 100% e estou ansiosa que seja lançado no mercado português.

As suas primeiras músicas originais foram em inglês. Hoje são apenas duas faixas bónus de um álbum que é praticamente todo em português. Isto aconteceu por estar perto de bandas como os D.A.M.A, artistas como o Diogo Piçarra e ver que as músicas deles, cantadas em português, têm tido imenso sucesso?

Tenho uma grande admiração por todas as bandas que estão a vingar na música portuguesa, mas não acho que tenha sido por causa disso. A música portuguesa está a ser cada vez mais consumida pelos portugueses e começou a fazer sentido para mim. Sinto-me também mais confiante com a língua portuguesa, tanto a falar como a cantar. No início não queria lançar-me a cantar em português sem ter a certeza absoluta de que estava a encarnar a língua portuguesa, tinha algumas dificuldades e hoje em dia ainda tenho, dou alguns pontapés na gramática. Agora sinto-me muito mais à vontade a cantar em português e encontrei em mim confiança para escrever também em português. Faço parte de todas as músicas do álbum, ajudei na parte criativa e na construção das letras. Por isso, este percurso fez sentido para mim.

Foi no YouTube que tudo começou. Chegou a ser a artista com mais subscrições em Portugal e no Reino Unido, em simultâneo. O que significa que também tem muitos fãs e seguidores estrangeiros. Como é que esses fãs têm reagido às músicas em português?

Gosto de dizer que tenho fãs muito leais e pessoas que me apoiam independentemente do país de onde vêm. Ainda recebo muitas mensagens em inglês de pessoas que me dizem: “Parabéns, conseguiste, tens o teu álbum.” Independentemente de ser em português ou não, querem ver-me vingar porque gostam da minha música mas, acima de tudo, gostam de mim como pessoa ou daquilo que demonstro ser, que é 100% genuíno nos dois canais que tenho no YouTube. Tem sido só apoio a nível nacional e internacional.

Mia Rose

Capa do álbum de Mia Rose, ‘Tudo P’ra Dar’

E a beleza da música acaba por ser universal, como vimos recentemente pelo caso do Salvador Sobral…

É verdade. Música para mim é paz. Tanto que há pessoas que ouvem Linkin Park ou Korn e encontram a sua própria paz dentro dessa música. Não é preciso ser uma música lenta para as pessoas encontrarem a sua própria paz. É por isso que passa as fronteiras todas, independentemente da língua. Até gosto de músicas chinesas, por exemplo. Não percebo nada do que eles estão a dizer mas gosto imenso de ouvir e consumo música internacional.

Reparei que muitos dos back vocals [vozes que ficam atrás da voz principal] de várias músicas do álbum são feitos pelo Miguel Cristovinho. Fez questão que fosse ele?

Não fiz questão, ele tem uma voz linda, muito boa e é muito talentoso. Tem uma voz linda para ser protagonista, como é nos D.A.M.A, mas tem um ar dentro da voz, um timbre tão maravilhoso, que enquadra sempre bem até como back vocal. E a voz dele combina muito bem com a minha também.

Por todo este envolvimento do Miguel nas letras e nas músicas, este álbum acaba também por ser um projeto dos dois?

Tanto ele como os restantes elementos dos D.A.M.A, os ÁTOA, o Diogo Piçarra, as pessoas que fazem parte da minha vida e os meus amigos. Partilhei este álbum com os meus e isso revê-se tanto na letra como na melodia. Gosto mesmo de conseguir enquadrar todos os que amo neste meu projeto. Por isso ainda significa mais para mim.

Mia Rose

Vão casar este ano. Estão a pensar cantar juntos no casamento?

Confesso que ainda não dei muita atenção ao casamento porque este álbum é o meu bebé e o Miguel sabe isso. Neste momento o álbum está aqui, o casamento vem a seguir, não estamos com pressa. O mais importante agora é dar toda a atenção ao meu bebé que está aí.

De todas as 11 músicas do álbum, qual é a mais especial para si?

A mais especial para mim é a faixa com o Diogo Piçarra, que se chama Não Sei. Escrevi a pensar na minha avó, que perdi no ano passado. É uma pessoa muito especial para mim e vai sempre ser.

O álbum chama-se Tudo P’ra Dar, o mesmo nome que um dos singles. Sente que tem tudo para dar neste momento?

Sinto que dei tudo o que tinha para dar neste álbum, por isso fez todo o sentido chamar-lhe Tudo P’ra Dar, independentemente de haver um single com o mesmo nome. Espero que o mercado português e os portugueses sintam isso nas músicas porque está tudo de mim dentro desse álbum.

Mia Rose

Se há dez anos, quando publicou o primeiro vídeo no YouTube, lhe dissessem que ia ter tanto sucesso, lançar um álbum e dar concertos, acreditava?

O YouTube foi uma brincadeira que correu bem, é uma frase que digo tantas vezes que já devia tê-la tatuado. Peguei numa câmara mínima, terrível, coloquei-a em cima de uns livros e comecei a cantar karaokes de músicas de que gostava. Como fui uma das pioneiras, comecei numa altura em que ninguém fazia isso, catapultou-me para um universo e acontecimentos que não esperava. Graças a Deus correu tudo bem e agora estou aqui a fazer uma entrevista sobre o meu primeiro álbum. O YouTube era um sítio onde via compilações de vídeos engraçados de animais, pessoas a cair, o costume.

Tem um grupo de fãs muito fiel, com uma elevada representação nas redes sociais. O que faz com que as pessoas gostem tanto de si?

Gosto de pensar que é porque transmito tudo aquilo que sou, tudo aquilo que as pessoas veem sou eu, não tento esconder nada. Falo das minhas falhas, das inseguranças, de quem sou verdadeiramente. Não tenho medo de falar sobre absolutamente nada e é isso que me torna mais acessível. Não me sinto acima de ninguém, sou quem sou, canto as músicas que gosto de cantar e gosto de pessoas assim também. Tenho pessoas que admiro no YouTube que são exatamente isso, muito verdadeiras e genuínas. Sinto que é por causa disso, mas não faço a mínima ideia. Malta, comentem.

A maioria dessas mesmas fãs são muito jovens. Sente uma responsabilidade acrescida por causa disso?

Não sei se responsabilidade é o termo correto. Gosto de ter cuidado, respeitar os meus princípios e valores morais. Não faço as coisas a pensar que tenho raparigas de 13 anos a ver, faço porque isto é quem eu sou. Não vou aparecer, de repente, de biquíni a cantar uma música porque não faz parte dos meus valores nem dos meus princípios, mas também não critico as pessoas que o fazem. Não sinto responsabilidade, mas gosto de transmitir uma boa imagem às pessoas que gostam de mim.

Mia Rose

Quando começou no YouTube, os vídeos que tinham mais sucesso em Portugal eram os de covers de música. Atualmente os mais vistos são de gaming, em que os youtubers explicam como se joga. Por que aconteceu esta alteração?

As pessoas que ouvem música viraram-se um bocadinho mais para o Spotify, onde se consegue de facto consumir pura e simplesmente música. Se pagarmos um bocadinho mais conseguimos ouvir sem os anúncios e eu, como consumidora de música, também gosto de ouvir non-stop sem anúncios, por isso é que tenho Spotify Premium. Atualmente no YouTube as pessoas que consomem efetivamente vídeos são aquelas que estão a jogar computador, portanto é mais fácil para eles pararem o vídeo e verem as várias respostas que esses vídeos têm para eles. Mas ainda se consomem muitos vídeos de covers, gosto de acreditar nisso.

A própria Mia sentiu necessidade de mudar. Criou um blogue, o La Sonatina, e começou a fazer vlogs no YouTube e unboxings no Instagram. Foi uma necessidade de se adaptar aos que as pessoas agora querem ver?

Por acaso comecei a perceber que as pessoas gostavam de ver e, por isso, tive mais vontade de o fazer, mas fiz com muita naturalidade, que é como gosto de fazer as coisas. Senti uma vontade de partilhar o meu dia a dia com os seguidores. Há pouco tempo fiz um vídeo com dicas para se abrir uma conta no YouTube porque recebia muitas mensagens que diziam: “Mia, como é que faço? Dá-me dicas, quero ajuda”. Sinto uma grande vontade de ajudar quem quer seguir os seus próprios sonhos, defendo que as pessoas devem sonhar. É por isso que vou acompanhando as minhas vontades e as vontades de quem me segue. De certa forma, é a minha maneira de ajudar e dar de volta.

Por que decidiu apostar mais nas áreas de moda e beleza no seu blogue?

Sou vaidosa (estou a gozar). Gosto muito de moda, quando era mais nova fiz uma espécie de internship [programa de treino prático para estudantes ou profissionais para que trabalhem em empresas reais] com uma estilista que me foi dando aqueles esboços em que podia desenhar em cima e ia fazendo os meus próprios desenhos. Houve uma altura em que queria mesmo ser designer, tenho uma veia de moda, apesar de não perceber muito.

Há pouco tempo até partilhou no Instagram uma foto em que aparece a desenhar num avião…

Exatamente. Adoro desenhar, é uma coisa que nos faz mesmo bem. Se alguém sofre de ansiedade durante um voo, por exemplo, desenhar é algo que lhe tira a ansiedade e deixa à vontade, vai ficar distraído a desenhar. É uma algo de que gosto e por ter essa veia de moda sinto que é um espaço meu, em que consigo deitar cá para fora tudo aquilo que quero dizer, que sinto e visto. É o meu cantinho.

2017 está a ser um ano em cheio para si, com o lançamento do primeiro álbum, noivado e casamento à porta. Como está a lidar com tudo isto?

Com muita naturalidade. Cada dia é um dia diferente, não gosto de planear muitos dias em antecipação, não sei o que vai acontecer amanhã. Por isso tenho os pés bem assentes na terra, respiro fundo e aproveito cada dia a 100%, sempre com um sorrido na cara. Trabalhar muito e ter respeito pelo trabalho de todos.

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