“As mulheres mais sofisticadas são as portuguesas”

A marca brasileira Granado chegou a Portugal em abril deste ano e instalou-se em Lisboa, na Casa Pau-Brasil, situada na Rua da Escola Politécnica, número 42. Na passada sexta-feira, dia 21 de julho, Nazish Munchenbach, Diretora de Marketing e Vendas da marca de cosméticos e produtos farmacêuticos, visitou o espaço e esteve à conversa com o Delas.pt.

Descobrimos antepassados portugueses na origem da Granado, conhecemos a nova linha capilar da marca e os perfumes da Phebo, que há 13 anos se aliaram à marca farmacêutica. A diretora de origem francesa está na direção da Granado desde 2004 e de lá para cá já fez crescer o número de produtos e também de lojas, inclusive a nível internacional. De 36 produtos passaram para mais de mil e atualmente contam com 55 estabelecimentos, onde apresentam linhas femininas, masculinas e também para criança. Em Portugal, para já ainda não está disponível a linha infantil, mas Nazish garante que é algo a trabalhar.

Como surgiu a marca Granado?

A Granado foi a primeira farmácia do Brasil, foi fundada por um português chamado Coxito Granado, daí o nome, e logo se tornou fornecedora da corte imperial. Quando esta voltou para Portugal, ficou lá um filho dos reis, D.Pedro II. Foi ele quem atribuiu o título de Pharmácia Oficial da Família Imperial Brasileira à Granado. Em 2004, ano em que entrei na Granado, adquirimos a marca Phebo que nasceu em Belém, na Amazónia. Esta foi fundada por dois primos e eles escolheram o nome Phebo por ser o nome do Deus Grego do Sol. A Phebo foi a primeira perfumaria de luxo no Brasil e a Granado a primeira farmácia. Então eu tive o maior prazer em juntar estas duas tradições, porque além de ser marketing comercial é também uma forma de conservar a História do Brasil, porque são marcas muito ligadas às famílias e raízes brasileiras. O que permite descobrir os brasileiros de uma forma muito íntima.

O facto de ser uma marca histórica influenciou o design do packaging?

Nós queríamos algo vintage, porque é a história da marca e, de facto, existem alguns produtos em que pegámos na Arte Antiga e colocámos. No entanto, eu acho que não podemos pegar apenas no vintage, pois embora haja público mais antigo é importante criar novas tradições para o futuro e levar a marca para outros lugares. Tem que haver uma coerência entre o ADN da marca e os tempos atuais. A linha Terrapeutics por exemplo, foi toda nova, mas o dia que foi lançada no Rio de Janeiro, eu estive na loja a primeira semana e muitas pessoas me disseram: “Eu usava isto” ou “Ah, a minha mãe usava”. E a verdade é que era um produto totalmente novo. Isto acontecida porque o produto tem uma cara antiga, mas é totalmente contemporâneo. Nós conseguimos essa modernidade.

Além do packaging bem característico, o que é que distingue os produtos destas duas marcas de todos os outros?

O que a Granado tem de mais diferente são texturas mais leves e super absorventes. Como foram desenvolvidas no Brasil, onde o clima é mais tropical, tiveram que ser texturas desenvolvidas para não deixarem a epiderme pegajosa. As peles lá são altamente secas, porque estão muito expostas ao vento, ao sol e desidratam bastante. Isso faz com que precisem de uma proteção, até porque há pessoas que chegam a tomar quatro a cinco banhos por dia. Por isso, temos texturas super hidratantes, mas ao mesmo tempo muito leves. Quanto às fragrâncias da Phebo, também aqui somos um pouco diferentes, porque tentamos sempre ter um fundo fresco em todos os aromas. Mesmo os perfumes mais “corpolentos”, por exemplo o nosso perfume Âmbar, que é dos nossos mais fortes, tem leveza. E isso é algo que a gente vê que as pessoas estão a gostar bastante. Além disso, são fragrâncias que duram muito. Acima de tudo, são produtos centenários, vindos de fórmulas resgatadas desde o início da casa.

E são produtos feitos a partir de recursos somente naturais?

Os nossos produtos são de farmácia, por isso acabam por ser uma mistura e não apenas naturais. Mas sempre que possam ser de origem natural são, mesmo que saia mais caro. Todos os nossos sabonetes são de origem vegetal, mesmo sendo um matéria mais cara que a animal. Nós damos prioridade à segurança, eficácia e inocuidade do produto, para que não haja riscos para a saúde. Às vezes o natural também é perigoso, por isso nós somos naturais onde sabemos que é seguro sê-lo.

De que forma a Granado e a Phebo se complementam?

A Granado é mais de tratamento do que a Phebo. Na exportação não trouxemos os medicamentos da Granado, optámos sobretudo pelo lado da perfumaria e da cosmética. Às vezes as pessoas têm dificuldade em ver a diferença, mas a Granado vai ter sempre um lado de cuidado e a Phebo um lado mais de prazer. A linha Pinkie da Granado, por exemplo, surgiu de uma episódio comigo e com a filha do dono, Sissi Freeman. Ambas fomos a um evento em Nova Iorque para vender um perfume e acabámos por ficar em pé de manhã à noite. Ao fim do dia tínhamos as pernas muito doridas e eu pensei: Existem tantas mulheres que preparam o pequeno-almoço, cuidam da casa, depois saem e ficam de pé o dia todo e quando voltam o dia ainda não acabou e continuam a tratar da casa. Precisamos precisa fazer alguma coisa. O meu pé e as minhas pernas estavam tão doridos, tinha calos devido ao sapato de salto alto e a Sissi até sangue tinha no sapato. Então avançámos e criámos esta linha para cuidados de pernas e pés. São coisas assim que precisamos. E hoje até os homens usam.

Têm um público masculino forte?

A gente é a única marca que eu conheço, e já trabalhei em várias, em que 40% do público é masculino. Os homens não têm vergonha de entrar na loja Granado, talvez por encontrarem lá produtos para eles e por ter um posicionamento histórico, então eles sentem que estão num espécie de museu. Eu às vezes até brinco com o facto de me terem dito que o homem brasileiro é muito infiel e digo: mas para a cosmética é muito fiel. Para vendedora ainda mais. Ele vai sempre à mesma vendedora, ama ela de paixão e compra tudo o que ela manda comprar.

E como tem sido o feedback dos portugueses desde que aqui chegaram?

Surpreendente. As pessoas estão a ficar apaixonadas. O espaço é ainda um pouco escondido, mas as pessoas que sobem e descobrem a loja ficam encantadas com os produtos. Tenho várias pessoas que já me mandaram mensagens nas redes sociais e que dizem ser frequentadoras. Eu confesso que estou muito impressionada, as portuguesas têm um lado bastante comunicativo e mostram que não têm medo de dizer o que pensam e entrar em contacto com as pessoas.

E quanto à beleza das mulheres portuguesas. Existe o estereótipo de que a mulher portuguesa não se cuida, o que pensa a Nazish sobre isto?

Eu acho que isso é um preconceito que as pessoas têm, mas eu não concordo. É uma beleza talvez um pouco mais natural, mas não é por isso que não é beleza. Não é aquele hair brushing como as americanas têm ou aquela pele perfeita e maquilhada das europeias do norte, é uma beleza mais espontânea e tem muito chame. As mulheres aqui têm muito charme, eu fico babando. Porque é muito fluida a maneira de se vestirem. Discreta, mas com alguma coisa muito transparente, que nos encanta. É muito feminino e nós mulheres temos que assumir a nossa feminilidade. E a portuguesa, eu acho, consegue assumir a feminilidade de forma natural. Não é para seduzir alguém, porque a brasileira às vezes quer seduzir, está sempre nesse jogo de sedução. Eu acho que as mulheres mais sofisticadas, em termos de gosto, são portuguesas.

Porquê apostar em Portugal?

Na verdade foi a Pau-Brasil que nos foi buscar. O Rui, o dono da casa, começou a falar comigo há cerca de dois anos e foi muito persistente. Na altura ainda estava a tratar da vinda para França e queria deixar tudo direito antes de começar a apostar em Portugal. Agora que já cá estamos vou inclusive mudar-me para Paris para poder cuidar mais da marca aqui na Europa. A ideia é expandir, mas gostamos de levar o nosso tempo. Às vezes quando a pessoa quer correr demais acaba por queimar uma boa oportunidade.

A que se deve o sucesso da marca lidera que tem Nazish como diretora de marketing e vendas?

Talvez por ser uma marca de nicho que fugiu um pouco do mainstream. Nós criámos segmentos dentro da perfumaria e da cosmética, por exemplo a nossa linha de mão e pé tem vários produtos que não existem em mais nenhuma marca. Até hoje há quem se inspire e tente copiar. Acho que isso é o que nos ajuda a ter sucesso. As pessoas reconheceram o nosso trabalho de qualidade dentro de um mercado que é muito sofisticado e saturado também. Além disso temos a preocupação de atender a um público com uma diversidade muito grande. Porque no Brasil temos pessoas com todos os tipos de cabelo e de pele. Exemplo disso é a Gisela Buchen e a Preta Gil, cujas peles e cabelos são totalmente diferentes.

Que novidades apresenta a marca?

A Granado tem uma nova linha capilar, a Terrapeutics. Eu criei esse nome e estou muito orgulhosa desta linha porque são extratos de plantas que são utilizados pelo mundo todo em terapias da avó (as mezinhas). Os produtos desta linha são feitos sobretudo com a castanha do Brasil, as mulheres da Amazónia, as índias, usavam-na para hidratar os cabelos. Temos também outras novidades na linha de perfumes Phebo. Lançámos a fragrância Pacholi que era uma fragrância tradicional da marca e também a Frangipani e a Jacarandá, com fragrâncias de flores típicas da Amazónia.

E no meio de tanta escolha, quais são os produtos preferidos da Nazish?

Eu sou fã da linha Pinkie, as pessoas as vezes levam tempo para descobrir mas quando descobrem já não largam. Eu adoro o gel para tirar as dores das pernas e o creme para as bolhas. Depois há outros produtos sem os quais eu não viajo. Por exemplo uma vela. Levo sempre uma vela para acender no quarto quando chego ao destino. O perfume Sambabaia é o meu preferido e também anda sempre comigo.

 

 

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