O que é o falso lesbianismo?

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“Flexisexual” é o termo cunhado pelo maravilhoso e ubíquo mundo da internet e que serve para designar uma pessoa que flirta com ambos os sexos mas não se identifica como bissexual. Mesmo que não esteja a ver bem o que isto é, basta puxar pela memória e lembrar-se de dois ou três momentos da cultura pop contemporânea: o beijo entre Birtney Spears e Madonna, nos MTV Video Music Awards, da música de Katie Perry, “I kissed a girl and I liked it” ou do recente vídeo de Shakira e Rihanna, onde o flirt entre ambas é constante. Arte e artistas à parte, estes exemplos também são chamados de fake lesbianism, lesbianismo falso, e muitos de nós já tropeçamos nele e em mulheres que beijam animadamente uma amiga para deleite do público masculino.

A psicóloga Cecelia D’Felice diz que as mulheres estão mais disponíveis para estas experiências depois dos 40 mas o endosso de algumas figuras públicas, como as mencionadas, faz com que esta aparente flexibilidade se torne comum e quase a norma, em mulheres de faixas etárias mais baixas. Naturalmente, a experimentação faz parte da sexualidade feminina. Mas parece que aquilo que não era mais que um ato exibicionista para atrair a atenção masculina passou a ser moda: “olhem para mim, sou tão a favor dos gays que, de vez em quando, me torno num.” Só que não. Especialmente na música, os exemplos abundam e o lesbianismo é usado como ferramenta de marketing para venda de música e da fantasia de que a nossa cantora favorita encaixa, quentinha, na nossa mais profunda fantasia.


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Mais uma vez, cada mulher tem direito a fazer de si e do seu corpo aquilo que bem entender, mas esta tendência de se ser um nadinha gay quando os contextos ou as agendas pedem é perigoso. E até um pouco insultuoso porque é o mesmo que dizer que ser gay é uma escolha, um “estado” que se entra e sai sempre que dá jeito. Além disso, este lado fluído, flexível da sexualidade abre campo e espaço para as “terapias anti-gay”, praticada por loucos e desinformados, que pretendem apagar a homossexualidade dos homossexuais.

É claro que nem todas as representações de lesbianismo na esfera pública são falsas ou têm objetivos escondidos e muitas delas contribuem positivamente para a conversa pública sobre a sexualidade feminina. Mas tantas outras parecem ser uma tentativa triste de chamar a atenção de um olhar masculino através de algo que facilmente os atrai, como a visão de duas mulheres sexualmente juntas.

Ninguém tem de ser polícia da sexualidade. Ninguém tem o direito de fazer livros de estilo para o que é ou não aceitável nem de identificar o que é real ou fabricado. As escolhas de cada um são complexas, a identidade pessoal e a identidade sexual são descobertas que se fazem a par. Mas também não há como evitar pensar que, como género, há comportamentos que fazem mais e menos pelo modo como somos percecionadas enquanto seres sexuais. E usar o lesbianismo como performance para atingir metas comerciais, chamemos-lhe assim, e dar um toque extra de sensualidade, é, certamente um deles.

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