“Quando tenho dúvidas, vou olhar para o prémio”

No pequeno ecrã, a atriz dá vida a Inês, uma mãe que se confronta com o drama do cancro diagnosticado à filha. Fora da novela da TVI, Ouro Verde, a galardoada Sofia Escobar fala da vida incerta e em trânsito dos atores, do adiar da maternidade – de um segundo filho – para apostar no trabalho e das fracas condições sociais e laborais dadas à classe em Portugal.

Tendo iniciado carreira no Reino Unido, no conceituado Teatro Musical do West End – que lhe reconheceu o talento quer com prémios, quer com nomeações -, não se cala perante “a punhalada” que sentiu quando viu os britânicos dizerem, em referendo, adeus à União Europeia.

Sem receios, diz que o mundo é grande e as portas estão abertas para trabalhar noutros pontos do globo. Quanto mais mercados, melhor. Admite, contudo, que um dia terá de parar para que o filho Gabriel possa ter estabilidade. Para já e desde o nascimento, há quase três anos, resgatou-o ao frio e ao tempo sombrio de Londres e à severidade da educação britânica porque acredita que se educa melhor um filho no sul da Europa.

Quando a novela Ouro Verde, da TVI foi apresentada, a Sofia declarou que estava a cumprir “um sonho antigo”. Quão antigo é este sonho, tendo em conta que falamos de alguém que já pisou os palcos de West End, em Londres, e foi já galardoada?

Era um sonho antigo porque comecei com teatro, muito novinha e acabei por ir para música e estudar canto. E já tinha há muito tempo vontade de agarrar um desafio mais como atriz, e trabalhar com câmara era algo que já me vem fascinando há muito e que é muito diferente do que se faz no teatro. Tinha cada vez mais vontade de experimentar e explorar e voltar um bocadinho à Sofia atriz. E quem diz novela, diz cinema, uma série.

Quando fala em diferenças, o que é que é mais desafiante na televisão por comparação ao teatro musical?

Começa logo pela preparação. No teatro temos mês a mês e meio de ensaios bastante intensivos, em que se trabalha tudo e com uma pesquisa forte de personagem. É tudo trabalhado, há muito mais tempo para fazer as coisas. No caso da novela, as coisas têm de ser mais instantâneas. Tive coaching para fazer Ouro Verde e continuo a ter, precisamente para aprender como gerir e como trabalhar com mais tempo a personagem, para lhe dar mais camadas. Para não ser superficial. É um trabalho bastante mais emocional. Estou a trabalhar com o Bruno Schiappa e fazemos o método de Lee Strasberg, ou seja, vamos procurar emoções, encontrar os pontos em que a Sofia se cruza com a Inês [personagem], maneiras de chegar a uma determinada emoção.

Na novela, a sua personagem vive o drama de uma mãe que tem uma filha com cancro.

Eu não tenho, graças a Deus, um filho doente, mas como atriz não preciso de viver essas circunstâncias para tentar perceber o que sentiria caso se isso fosse verdade e para tentar ir buscar ao máximo a emoção verdadeira. É uma responsabilidade muito grande.

Como se preparou para lidar com a doença?

Tem sido muito duro e curiosamente não tem sido tão pesado entrar e sentir essa dor. Tem sido mais difícil sair, ainda estou a aprender como fazer.

No dia em que gravei a cena em que dizem à Inês que a filha tem um tumor, senti uma dor mesmo muito forte. Custou-me muito, foi muito verdadeiro.

Levei aquele drama para casa, estive a noite a chorar. Tive de ir agarrar o meu filho não sei quantas vezes porque não estava a conseguir libertar-me daquela emoção. Isso é algo que se adquire com técnica e que ainda estou a aprender.

Conseguiu chegar a associações, a entidades que lidam com esta realidade para se preparar?

Tenho trabalhado com o projeto Amélia, que está muito ligado ao cancro, embora num setor diferente. Esta organização não governamental está no setor do transporte de crianças com cancro, na Birmânia, e que não têm acesso aos tratamentos, que é uma coisa que em Portugal temos por garantido. Não precisamos de quatro dias para chegar ao hospital – que é o que acontece lá -, nem gastamos tudo o que temos numa das viagens, não tendo depois dinheiro para poder voltar.

Nesse contexto e ainda antes de trabalhar em Ouro Verde, conheci muitos pais, pessoas com histórias felizes, outras menos, e tive oportunidade de ver algo que todos eles têm em comum: uma força incrível.

Como mãe, não consigo sequer imaginar como se arranja força para enfrentar uma coisa dessas, que não está nas nossas mãos.

Que feedbacks tem recebido?

Por email, muitas vezes na rua, dizem-me “fartei-me de chorar contigo”, “passei por isto”, “sei bem o que sente”. Às vezes até tenho medo de perguntar o desfecho, mas a própria pessoa acaba por dizer. Podemos estar a tocar numa ferida. Hoje em dia, infelizmente, deve haver muito pouca gente que não tenha sido tocada pelo cancro de uma forma ou de outra. Um amigo, um familiar.


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Um dos aspetos que se discutem é alimentação e o cancro. Sendo vegan na novela, essa temática sido assunto?

Por acaso, não tenho sido abordada nesse sentido. Sei que a personagem tem uma luta interna de pensar que se calhar a culpa foi dela. Mas não tem nada a ver com aquele caso específico porque se trata de uma questão genética.


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Vir para esta novela obrigou-a a trocar Madrid por Lisboa, trouxe o filho Gabriel [quase a completar três anos] …

(Risos). Viemos todos. O meu filho, o meu marido [Gonzalo Ramos]. Eu também estive em Madrid nos últimos três anos e à medida que o trabalho foi surgindo também tinha de viajar e agora o meu marido está a fazer o mesmo. Ele vai e volta e tudo se consegue.

Ambos atores, falamos de pessoas que não desenvolvem a sua atividade apenas numa cidade. Como se gere?

Não é fácil, exige uma ginástica. Até agora temos conseguido com relativa facilidade porque o Gabriel ainda é muito pequenino, mas quando ele começar na escola, vamos ter mesmo de assentar, seja aqui, seja onde for. Vamos ter de lhe dar uma rotina, estabilidade, nessa altura logo vemos onde vai ser. Até lá, vamo-nos repartindo.

[Fotografia: Gerardo Santos/Global Imagens]
[Fotografia: Gerardo Santos/Global Imagens]

É difícil para uma atriz portuguesa chegar a Madrid e encontrar trabalho na sua área? E o contrário, um ator espanhol estar cá e procurar trabalho em Portugal?

Sim, é difícil. Eu demorei um bocadinho a dominar o espanhol, mas a partir do momento em que comecei a ter um controlo sobre a língua – agora sou fluente – consegui um agente lá, já tenho vários contactos, eles também fazem muito teatro musical. Talvez para o ano possa haver qualquer coisa.

Na altura, também decidi fazer uma pausa, tinha acabado de ser mãe e queria ter esse tempo.

O contrário, no caso do Gonçalo, ele tem uma pronúncia americana perfeita, tem agente em Los Angeles e tem feito muitos castings lá, para séries nos Estados Unidos da América. Acho que em Portugal ele faria um estrangeiro, espanhol, americano ou inglês.

No seu caso, faz sentido também ter um agente em Los Angeles?

De momento não tenho. Tenho agente em Portugal, em Londres e em Espanha. Não sei se fará sentido numa fase mais para adiante. Se o meu marido começar a trabalhar por lá, se calhar também me vou infiltrar (risos). Para mim, tudo ótimo, venham mais mercados, o mundo é grande e tem as portas abertas.

Quando a novela foi apresentada, a Sofia falava que estava muito contente por fazer este trabalho, mas esta decisão obrigava-a a adiar a voltar a ser mãe. Foi uma escolha difícil?

Não porque ainda está tudo muito dentro dos planos e do tempo. Mas é claro que temos uma vida muito instável como atores, muitas vezes não nos podemos dar ao luxo e dizer que ‘não’ a um projeto, sobretudo destas dimensões.

O Gonzalo teria o mesmo dilema, nas mesmas proporções?

Sim. Ele percebe e foi uma decisão feita a dois. Ele também não está com trabalho fixo, por isso é aproveitar.

Como é viver assim?

É duro. As pessoas, às vezes, têm uma ideia muito errada sobre o que é estar neste meio. Pensam que é tudo muito fácil porque veem uma fração do processo, não veem a luta que é necessária para chegar a um certo ponto, nem os dilemas e as dificuldades que surgem. Só veem quando já está tudo num bom ponto. Mas até chegar aí, é duro. E depois ainda há o mantermo-nos aí. Isso consegue-se com formação, trabalho, investimento.

Nunca paro de ter aulas de canto e de representação e de continuar a investir. Canto todos os dias pelo menos uma hora, a não ser que seja um dia total de gravações.

Mas mesmo agora que estou mais como atriz, tento não desleixar a parte do canto e tento ter a voz em forma. E a qualquer momento pode surgir um projeto nessa área e eu preciso de estar com resistência. Se pararmos, é como deixar de ir ao ginásio.

Para quem já foi reconhecida com prémio como o de melhor atriz de teatro Musical do Whatsonstage e uma nomeação para o prémio Laurence Olivier, estes galardões são mais fatores de stresse ou de bonificação?

Tem um bocadinho as duas faces. Ajuda porque é um reconhecimento, é uma coisa que tenho na minha sala. Às vezes, quando tenho dúvidas, vou olhar para o prémio.

Tem dúvidas?

(sorriso) Sim, tenho. Continuo a ter muitas dúvidas. Será que sou capaz disto, ou daquilo. Quando começou Ouro Verde houve um medo, adrenalina. Será que sou capaz? Será que vou fazer um bom trabalho? O facto de ter sido reconhecido o meu trabalho dessa forma, numa fase tão jovem da minha carreira, é um sonho tornado realidade. Nunca imaginaria que fosse acontecer assim. Depois, tem o outro lado que é quando as pessoas não conhecem o meu trabalho e têm as expectativas da miúda que foi nomeada para o Laurence Olivier e ganhou o Whatsonstage, tenho muitas vezes o receio de não corresponder ao que as pessoas esperam de mim. Tenho vindo a aprender a lidar com isso, a ter mais autoconfiança.

A ideia de voltar a Londres está em cima da mesa?

Sim, não é algo que coloque de parte. A saída aconteceu na sequência da minha gravidez porque eu não queria que o meu filho crescesse no Reino Unido.

Porquê?

Devo muito ao Reino Unido e, em termos de trabalho lançou, a minha carreira. Tenho muito boas recordações, amigos, gostei muito daquilo. Mas não é Portugal (risos).

Mas também não veio para Portugal. Foi para a Madrid.

Mas Madrid, apesar de tudo, é bastante mais parecido. A cultura, a comida, a forma de educar crianças e isso pesou muito. A educação que os britânicos dão aos miúdos parece-me um bocadinho militar, são todos iguais, aquela frieza tipicamente britânica, não sei (sorriso)…

Eu queria que o Gabriel tivesse uma infância mais como a minha (risos), que pudesse brincar, explorar, subir às árvores e esfolar joelhos. Lá, devido a limitações da meteorologia, estão sempre fechados em casa. Há frio, há chuva, às três da tarde já é de noite e isso influencia muito a forma como as pessoas vivem. Aqui é um bocadinho mais parecido, e vejo-o tão feliz.

Depois, havia a questão dos horários de trabalho, vive-se um bocadinho como atleta de alta competição, especialmente num papel como o da Christine Daae [O Fantasma da Ópera] em que a voz tem de estar sempre a 100% e não há margem para falhar.

Como se gere isso com uma gravidez?

(risos) Trabalhei até aos cinco meses e meio de gravidez, por isso o Gabriel ouviu muito O Fantasma da Ópera. A questão é que eles no Reino Unido – honra lhes seja feita ao sistema e às leis por lá – apoiaram-me de uma forma excecional. Coisa que aqui… nem pensar.

Como assim?

O meu contrato ia terminar aos três anos e decidi que ia sair. Eles pediram-me para ficar mais uns meses porque ainda não tinham conseguido encontrar ninguém que me substituísse. Eu aceitei, entretanto engravidei (risos), ainda antes de assinar o novo contrato. Fui falar com eles porque não quis que pensassem que a gravidez tinha sido planeada da minha parte para tirar dividendos de… Propus que se quisessem não assinava o contrato. E eles disseram: “nem pensar”. Quase que ficaram ofendidos.

Disseram-me para fazer o musical até quando conseguisse, mandaram chamar um especialista para ver o espetáculo e ver o que eu podia e não podia fazer. Puseram duplas em cenas nas pontes e em situações que poderiam ser um bocadinho mais perigosas para uma mulher grávida fazer. Foram super-cautelosos, mas aquilo lá é a doer caso alguma coisa corra mal.

Eu vim depois para casa, aos cinco meses e meio, e ainda tinha mais meio ano de contrato pela frente. Continuei a receber igual. E findo o contrato, comecei a receber o subsídio de maternidade, a 90% do meu salário, durante um ano. A questão é que lá, ser ator ou atriz é considerado um trabalho como outro qualquer, com regalias. Nós aqui não temos isso.

Já sente na pele o drama que os atores portugueses vivem em matéria de desproteção?

Não temos… já falei com algumas pessoas e acho que fazia sentido criar-se cá o que eles têm lá que é a Equity, um sindicato.

Há sindicato de atores em Portugal.

Mas podia funcionar um bocadinho melhor, proteger mais os atores. Haver um salário mínimo. Há também muita gente a trabalhar de graça. É óbvio que não temos o mesmo mercado que eles têm lá, com peças que ficam em cena 30 anos. Temos de ter noção dessas discrepâncias.

[Fotografia: Gerardo Santos/Global Imagens]
[Fotografia: Gerardo Santos/Global Imagens]

Viveu e trabalhou em Londres. Como olha e entende o Brexit?

Ui…. isso foi um choque muito grande para toda a classe de atores.

E para si?

Foi quase como uma punhalada. Senti aquilo de uma forma muito pessoal. Doeu. Pensei: “Então, passei tantos anos a trabalhar para vocês e agora, o que é isto?” Mesmo na Guildhall [School of Music and Drama ], na escola onde estudei em Londres, a grande maioria dos estudantes eram e são europeus, estrangeiros e sempre valorizaram o talento acima de qualquer coisa. Eles até chegaram a fazer uma publicação no Facebook – que partilhei – mostrando a orquestra da Guildhall com os nosso alunos europeus – e aparecia a orquestra cheia; depois, colocaram uma foto só sem os alunos europeus – eram meia dúzia de gatos pingados. Isto tem implicações muito fortes e ainda não sei como vai tudo correr. É muito triste. Eu tive acesso a bolsa de estudos que me cobriu as propinas. Se calhar hoje, com o Brexit, já não seria aplicável. Portanto, se fosse hoje, provavelmente não ia. Não tinha dinheiro para pagar. E, se calhar, a minha carreira não tinha absolutamente nada a ver com o que foi.

Quando fui para Londres, fui trabalhar para um restaurante de eventos – de casamentos, a entregas de prémios – para poder fazer face a despesas, durante dois anos. Como membro da União Europeia tinha essa possibilidade, esse direito, agora não sei como vai ser.

O mundo só tem a perder com este género de mentalidade fechada e, na minha opinião, retrógrada.

Acha que eles se cansaram de ajudar gente de fora?

Acho que quem votou Brexit não sabia o que estava a fazer. houve ali uma ignorância muito forte. Não veio de Londres, que é uma espécie de microclima, mas da periferia, que não tem nada a ver em termos de mentalidade. Houve muita publicidade enganosa.

E voltar nestas circunstâncias?

Só com o projeto interessante e depois de ter noção de saber como as coisas vão funcionar daqui para a frente, se vamos conseguir trabalhar lá.

Foi jurada num concurso de caça-talentos na RTP1 [Got Talent Portugal]. Teria concorrido a um programa de talentos?

Nunca o fiz. Tive alguma pressão por parte de pessoas que me conheciam, amigos. Primeiro, acho que não tinha coragem. Era muito tímida e tinha medo de fazer mal e ser julgada por aquilo para o resto da vida. Enquanto jurada, valorizei a coragem. Ainda hoje faço castings e se as coisas não correm bem, não sai dali. Aqui está-se exposto ao mundo e há dias bons e dias menos bons e há fatores de peso: nervos, horas de espera. É duro. Depois, quis investir na minha formação e sentir-me preparada para enfrentar o mercado de trabalho de outra forma. Queria ter um curso, queria ter uma segurança se as coisas não corressem tão bem, caso não conseguisse pisar palcos, poderia dar aulas. Tenho sempre um plano B. Já dei aulas de canto e gosto muito.

Para quem canta de forma tão profissional, consegue cantar simplesmente o Atirei o pau ao gato ao seu filho?

Sim (risos), consigo, e canto muito. O meu repertório agora inclui muitas outras coisas como “A barata diz que tem…” O Gabriel já é afinadinho e tem tanto ouvido. Filho de peixe… mas é giro ver a queda dele, afinal está no meio de todos esses estímulos. Ainda não o levei a ver um concerto meu porque tenho medo que ele não perceba porque não pode ir para o pé de mim. Ele vai ver os ensaios. Não gosta de notas agudas (risos). Quando eu começo a subir, ele começa a fazer beicinho. Agora percebe melhor, mas quando era pequenino deveria pensar que eu me estava a zangar com ele, ficava uma carinha de medo (risos)… Os gritos de uma soprano podem ser um bocado fortes para o ouvido de um bebé.

Já faz publicidade. É um caminho?

Não é uma coisa que estivesse nos planos. Mas porque não? É representação, ainda por cima em produtos que acredito.

Vêm aí mais campanhas?

Estou com Banco Popular por três anos, se vieram mais campanhas não digo que não.

E outros projetos?

Espero conseguir gravar um CD este ano. Não tenho editora, mas estou a trabalhar na parte mais artística. A ideia é fazer metade em originais e metade com covers do teatro musical. Os originais são um bocadinho diferentes, tenho coisas em português, tenho a uma música que acho lindíssima com um poema de Florbela Espanca, e tenho umas influências quase celtas de folk music. Na parte clássica, talvez faça um cover de uma Avé Maria de Schubert. Também tenho uma Avé Maria original, da autoria de Artur Guimarães. Já escrevi letras, mas compor ainda não é bem a minha área. É preciso um talento diferente.

E em televisão, o que tem para depois de Ouro Verde?

Está tudo em aberto neste momento. Se surgir alguma oferta de trabalho e seja aliciante.

O que é uma proposta aliciante para si?

Uma série, um papel interessante noutra telenovela. Não digo que não. Gosto imenso de estar aqui, por isso…

Imagem de destaque: Gerardo Santos/Global Imagens

Agradecimentos: Hotel Altis Belém

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