Um casal português no deserto e um acampamento no meio do nada

Durante os dez dias que dura o Rali das Gazelas há dois momentos que concentram todas as atenções: as etapas-maratona. É o momento em que as concorrentes vão ter que dormir no terreno, criar o seu acampamento enquanto continuam à procura dos pontos de controlo. Ontem foi um desses dias. E uma dessas noites.

Acompanhei Elisabete Jacinto e France Clèves à distância. Vi-as no primeiro ponto, nas magníficas dunas do Erg Chebi e só as voltei a encontrar no oitavo, o último do dia, graças à excelente condução de Alberto Gonçalves, o português que me guia por estas areias míticas. Faz parte da organização do evento – como voluntário – e este é o seu 14º Rali das Gazelas. Ao lado, tem a mulher, Teresa, também ela voluntária, também ela com 14 provas no cadastro. São duas das pessoas mais conhecidas da prova e em cada paragem é vê-los a serem cumprimentados por todos. Teresa assume a popularidade de forma modesta: “Sou como uma mãe para algumas delas”. Alberto, mais reservado, reage aos elogios sobre a sua perícia ao volante passando a “responsabilidade” para o carro, um Land Rover de 1996 que tem mais de 300 mil quilómetros nas suas mãos.

Alberto quis chegar ao oitavo ponto de controlo antes do anoitecer e cumpriu a promessa. Pelo meio auxiliámos duas concorrentes acidentadas – um capotanço grave que obrigou ao transporte em helicóptero de emergência da navegadora Christelle Vidal. Ao chegar ao acampamento selvagem já lá estavam seis duplas da classe Experts, da qual faz parte Elisabete Jacinto. A mesa estava posta.IMG_0404

Manda a tradição que, para estas noites no meio do nada, cada concorrente traga petiscos e bebidas da sua região ou país. Há queijo do norte de França, patês belgas, champanhe de um dos patrocinadores do rali, enchidos franceses, queijo de cabra Palhais e chouriço nacional trazidos por Alberto e Teresa. E depois há muitos snacks de pacote e gomas, que parecem ser bastante apreciados na Europa central. Da esquerda, da francesa antiga campeã olímpica de esqui, Carole Montillet, chega-me um prato de plástico com rodelas avermelhadas. “Queres salsichão?”, pergunta-me. Não há como recusar.
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As conversas cruzadas são iluminadas por lanternas frontais. Fala-se de carros, claro, mas também das peripécias do dia, de concorrentes que ainda não chegaram, fazem-se piadas privadas. São 21h, o céu está estrelado como sempre, mas visível como em poucas ocasiões. Há que agradecer ao deserto e à falta de poluição visual por isso. A lua cheia está quase a nascer atrás daquela duna. Amanhã, a etapa maratona continua e Elisabete está na luta por uma boa posição. Uma a uma, as concorrentes vão dormir nas tendas e o acampamento fica silencioso

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