Engenheira cria sistema que quer reduzir cesarianas

Segundo dados de setembro de 2017 do Serviço Nacional de Saúde (SNS), foi registada uma média de um quarto (25%) de cesarianas face ao número global de partos realizados nas unidades públicas portuguesas. Valores muito acima dos recomendados pela Organização Mundial de Saúde, estabelecidos nos 15%.

Foram estes os números que levaram Ana Almeida, engenheira e investigadora do Instituto Superior de Engenharia do Porto (ISEP) a desenvolver um sistema que centraliza informações sobre cesarianas realizadas nas instituições de saúde nacionais. Esta especialista pretende auxiliar os profissionais do serviço de obstetrícia a diminuir a realização deste procedimento.

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Segundo Ana Almeida, e de acordo com a Direção Geral de Saúde (DGS), a cesariana deve estar associada a um motivo, normalmente relacionado com o bebé – como a sua posição fetal –, devendo ser realizada somente por motivos clínicos e “quando de facto é a única solução”. No entanto, e por “não se saber bem o porquê de muitas vezes não haver essa necessidade e contudo ocorrerem cesarianas, é necessário monitorizar”, referiu.

Com base nisso, Ana Almeida desenvolveu um sistema que possui indicadores capazes de avaliar se as cesarianas foram ou não feitas por necessidade, através do percurso das mães e dos recém-nascidos durante todo o período de gestação.


Hospitais penalizados por excesso de cesarianas


A ferramenta recolhe dados de várias instituições de saúde, nomeadamente de hospitais, que são depois armazenados numa base de dados central. Esses dados centralizados são analisados por uma ferramenta desenvolvida para tal, obtendo-se daí diferentes indicadores dinâmicos, que ficam disponíveis para os profissionais de saúde.

“Um dos indicadores refere-se à relação do número de cesarianas com a posição do bebé, disponibilizando informação sobre quais os bebés que, de facto, se encontravam numa posição fetal que justificaria a cirurgia”, exemplificou.

Ana Almeida explicou que, no setor da saúde, apesar de já existirem plataformas de base de dados, “nenhuma combina dados das várias instituições”, sendo esta uma das inovações associadas a este projeto.

O projeto, desenvolvido no âmbito do mestrado em Engenharia Informática – ramo de Sistemas de Informação e Conhecimento (MEI), foi orientado pelo docente do ISEP e investigador do Grupo de Investigação em Engenharia e Computação Inteligente para a Inovação (GECAD), Constantino Martins. Com a parceria da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto e com a Virtual Care, empresa de software que tem já uma forte presença nos hospitais nacionais, esta tecnologia demorou cerca de dez meses a ser desenvolvida.

CB com Lusa

Imagem de destaque: DR

As fotos poderosas de uma mãe após cesariana