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Exposição da Benetton tem curadora portuguesa

A exposição ‘I See Colors Everywhere, que a Benetton apresenta na Trienal de Milão até 28 de setembro, tem curadoria portuguesa.

Mariana Fernandes assina a direção criativa da mostra, cujo curador principal é Sam Baron. A designer portuguesa de 31 anos estudou Belas-Artes, em Lisboa, mas há vários anos que a sua vida e o seu trabalho se dividem entre Portugal e Itália.

Foi a proximidade física da faculdade com a Fabrica Features da Benetton, na capital portuguesa, que lhe permitiu descobrir aquele centro de investigação de arte e comunicação do grupo italiano, situado em Treviso. Fundada em 1994, a Fabrica oferece a investigadores de todo o mundo uma bolsa de estudos anual, que lhes permite desenvolver trabalho nesse centro. A gama de disciplinas é variada e vai do design à comunicação visual, incluindo fotografia, instalações interativas, vídeo, música e jornalismo.

“Quando acabei o curso de design de comunicação tive oportunidade de ir trabalhar para lá, onde era responsável pelo calendário para gerir a galeria e a loja também”, conta aos jornalistas portugueses, na inauguração da exposição. Foi aí que conheceu Sam Baron, onde o designer também é diretor, e foi aí que teve oportunidade de realizar “alguns projetos pessoais e ser envolvida noutros projetos”. “Daí foi um salto para a Itália, onde comecei com uma bolsa, como toda a gente começa. Tinha menos de 25 anos e estou lá há cinco anos. Hoje em dia sou consultora e trabalho entre Lisboa e Treviso.”

Nesta fase, a designer, que mantém um pequeno estúdio em Lisboa, tem a seu cargo, na Fabrica, projetos com mais peso e mais complexos como o desta exposição.

“Este projeto surgiu, porque nos foi dado [à Fabrica] este desafio de nos envolvermos conceptualmente na apresentação da nova coleção da Benetton, durante a semana da moda”, explica.

Para isso pensaram no que significa a marca Benetton e a sua história e no papel da Fabrica no meio de tudo isso. Em vez de fazerem um desfile normal pensaram nesta questão da cor e decidiram criar uma exposição que reunisse “projetos de arquivo da Fabrica e projetos novos criados especialmente para este evento, organizados por cores, do preto ao verde, que é a cor da marca.”

As roupas da coleção são mostradas através dos modelos que estão presentes na exposição e que se destacam dos visitantes comuns pelas cores do seu vestuário.

“É uma exposição sobre a cor e sobre a diversidade, criatividade, as mensagens transpostas em diversos media: fotografia, gráfico, vídeo, música e design de produto”, sintetiza.

Na exposição estão trabalhos de artistas “que nasceram e cresceram” naquele centro de investigação da Benetton e que agora são conhecidos internacionalmente. São mais de 50 obras, entre peças emblemáticas criadas ao longo de mais de 20 anos de atividade da Fabrica e outras novas, concebidas para a exposição.

Entre estas, Mariana Fernandes destaca a peça ‘Blue Monochrome’, do britânico Daniel Rous, uma cadeira, de um designer de produto que esteve dois ou três anos na Fabrica, e que saiu há pouco tempo. “Criou esta cadeira azul que agora está em produção, é uma cadeira comercial que está agora a ser apresentada em Londres. E ele fez para esta exposição uma versão dessa cadeira.”

Atrás, na parede, está uma das obras mais antigas do arquivo da Fabrica, um trabalho com 16 anos, do espanhol Jayme Hayon, que também começou na neste centro de investigação. “Nós fomos buscar este gráfico que ele fez há imenso tempo e que reproduzimos outra vez aqui, fotografias também de autor, que foram incluídas em algumas revistas da ‘Colors’, além de gráficos, animações, texto, peças de vidro e instalações interativas.”

Algumas das fotografias que Mariana ajudou a escolher para esta exposição fazem parte das suas lembranças de quando era mais nova e ainda estava longe de imaginar que viria a trabalhar na Fabrica da Benetton. É o caso do ‘The Albino Projet’, de 2004, da autoria do sul-africano Pieter Hugo – três retratos retirados de uma série mais vasta de imagens de pessoas albinas. Já nos novos projetos, a designer destaca as peças de Sam Baron, curador da exposição, que assina duas das obras ‘White Noise’ – uns rádios de cerâmica provenientes de uma coleção chamada ‘Bibelots’ – e ‘From The Earth’ – um bloco de mármore cortado em sete barras finas.

Mariana Fernandes também contribui com uma peça para a exposição: ‘Snap’, uma mão em néon verde cuja luz intermitente recria o gesto do estalar de dedos, inspirando-se naquele que a artista considera ser um dos traços culturais italianos.

Ana Tomás, em Milão

Imagem de destaque: Marco Zanin/ Fabrica