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Jovem criador português Hugo Costa estreia-se em Paris

Jovem criador português Hugo Costa

Paris vive dias de emoção com o Euro 2016, a semana de moda masculina e, dentro de dias, a semana de moda de alta costura, as manifestações contra as novas leis laborais e os efeitos do ‘Brexit’. Mas este é um texto sobre moda. Moda em português. Sobre a estreia de um jovem talento chamado Hugo Costa que, com o apoio do Portugal Fashion, se estreou na Semana de Moda Masculina de Paris.

“O alargamento do roteiro internacional do Portugal Fashion, que chega agora à Semana de Moda Masculina Paris, consubstancia um novo desafio a que nos propomos. Hugo Costa é um dos exemplos que personifica uma nova geração de criadores nacionais, cada vez mais focados no panorama internacional. Por isso, faz todo o sentido o Portugal Fashion acompanhar este caminho e alavancar esta nova etapa da sua carreira”, afirma João Rafael Koehler, presidente da ANJE (Associação Nacional de Jovens Empresários), entidade organizadora do Portugal Fashion.

O percurso deste jovem começou no Espaço Bloom Portugal Fashion o qual já não integra , destinado à divulgação de novos talentos do mundo da moda. Detentor de uma visão de moda moderna oscilando entre um conceito alternativo/conceptual, muito apreciado nos grandes centros de moda mais libertadores e apreciadores de ideias diferenciadoras, que no entanto, já não são originais. A falta de originalidade não implica falta de qualidade criativa e construtiva.

Muito pelo contrário, o trabalho de Hugo Costa tem sido construído na base da coerência e da beleza, dirigido supostamente ao público masculino, mas as formas ‘oversize’ permitem um jogo entre géneros.

“A minha roupa quer e pode ser vestida por homens e mulheres, cada um interpreta à sua maneira uma mesma peça”, explica Hugo Costa ao Delas.pt.

Foi no código de conduta dos samurai, o bushido, guerreiros de um Japão feudal, que Hugo Costa idealizou uma coleção composta por túnicas compridas e de 3/4, calças largas, calções, casacos estilo ‘bomber’, feitas a partir de algodão de cores pastel como o rosa pálido ou neutras como o preto e o brando, ou vibrantes como o vermelho.

Acompanhar o trabalho do designer de São João da Madeira é motivante pelo crescimento criativo, onde o início partiu de ideias associadas à moda de rua (streetwear) e agora transita para a moda sem género.

O tema não é inovador, muitos outros artistas direta e indiretamente associados à moda já exploraram esta questão, entre eles o designer de moda Ricardo Andrez. “Sou designer de moda, não perceciono a moda com vertentes estanques, vejo-a moldável e adaptável à criatividade de quem a explora. Vivemos numa era global e o pensamento também deve ser esse”, salienta o designer que está consciente de que o universo da moda está em mudança, reajustando-se às reais necessidades e apetências do consumidor.

Prova disso mesmo é o anúncio que a marca inglesa Burberry fez, entre outras, sobre a intenção de juntar as coleções homem/mulher num único desfile, o que se prevê acontecer já a partir das próximas edições.

A questão reside no futuro das semanas de moda masculinas, havendo quem defenda que o seu fim está para breve ou somente uma renovação no conceito antiquado e desinteressante que é o modelo de desfile. A mudança não será drástica nem imediata, mas Hugo Costa entende estas alterações “como uma urgente necessidade de renovar, de criar novos estímulos quer nos criadores de moda, marcas e público”. À semelhança de outros designers de autor nacionais, é no mercado asiático que Hugo Costa está a crescer economicamente.

O Portugal Fashion vai continuar o seu périplo internacional marcando presença nas próximas semanas de moda: Nova Iorque, Milão, Londres e Paris.

Catarina Vasques Rito