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Quem foi Bárbara Virgínia, a mulher que dá nome a um prémio?

A Academia Portuguesa de Cinema entrega esta sexta-feira, dia 12 de Janeiro, o Prémio Bárbara Virgínia à colorista Teresa Ferreira.

A cerimónia acontece às 21h30, na Cinemateca Portuguesa, em Lisboa e distingue uma personalidade que costuma ficar no anonimato na produção cinematográfica. Ao colorista, função desempenhada por esta veterana do cinema português, cabe a correção e ajuste da cor na película fílmica.

Teresa Ferreira é a vencedora desta ano do troféu Bárbara Virgínia [Fotografia: Pedro Rocha / Global Imagens]

A premiada deste ano nasceu em 1940, estudou na Escola António Arroio, e começou a trabalhar em cinema a partir de 1958. Passou pelos laboratórios da Tobis, pela Ulisseya Filmes e por laboratórios em Bruxelas e em Paris.

Teresa Ferreira é a terceira mulher a receber este prémio – antes disso foram distinguidas as atrizes Leonor Silveira (2015) e Laura Soveral (2016). O nome do troféu desenhado concebido pelo pintor e escultor Leonel Moura.

Tal como a personalidade distinguida, este ano, este troféu concebido pelo pintor e escultor Leonel Moura, tem o nome de uma realizadora que fez história no panorama feminino do cinema nacional mas o seu nome acabou por cair no esquecimento geral.

Por isso, Luísa Sequeira realizou o documentário “Quem é Bárbara Virgínia”, para dar a conhecer a vida e o percurso desta cineasta nascida em Lisboa, em 1923, que foi a primeira mulher a realizar uma longa-metragem em Portugal e também a primeira diretora do sexo feminino a marcar presença com “um filme a solo em Cannes”, em 1946, explica ao Delas.pt a autora do documentário. Na altura, acrescenta, as mulheres ainda concorriam em parceria com realizadores do sexo masculino ou apenas com curtas-metragens.

Foi a primeira mulher realizadora a apresentar uma longa-metragem sozinha em Cannes, em 1946

Bárbara Virgínia apresentou-se no prestigiado festival de cinema francês com o filme ‘Três Dias com Deus’, que contava “a história de uma aldeia que fica três dias sem o padre”, explica Luísa Sequeira, que apenas conseguiu descobrir uma pequena parte intacta do filme, mas não perdeu a esperança de resgatar a outra cópia que presume existir no Brasil e que poderá conservar a película completa.

O documentário, que será exibido na cerimónia de entrega do prémio, revela, que “não há uma Bárbara Virgínia, há várias”. Multifacetada, a realizadora era também atriz, locutora de rádio e música, vertentes que estão também no filme que fez, onde representa e toca solos de piano.

“Esquecida e ausente da memória do cinema português”, como lembra Luísa Sequeira, Bárbara Virgínia chegou ao cinema através do filme ‘Três Dias com Deus’, através de um convite para dirigir aquela história. “Tinha apenas 22 anos” e era um caso a parte nas realizações no feminino. As poucas realizadoras portuguesas que havia na altura, dedicavam-se sobretudo a realizar pequenas peças de propaganda política.

Mas foi sobretudo no teatro que se destacou, e dentro deste, na área da declamação, tendo feito “mais de 600 recitais”.

Bárbara Virgínia, de seu nome verdadeiro Maria de Lourdes Dias Costa, morreu em São Paulo, no Brasil, a 7 de março de 2015.