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Vídeos que acabam de vez com os argumentos dos agressores sexuais

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Vídeos que acabam de vez com os argumentos dos agressores sexuais

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“Assim vestida estava mesmo a pedi-las!” “Com tudo à mostra estava à espera de quê?” Estes são os argumentos que justificam tantas vezes a violência sexual sobre mulheres. Para quem ainda não percebeu que um não é mesmo um não e que vestida ou nua uma mulher deve ser respeitada, surgiu uma iniciativa genial na linha de pensamento “já percebeste ou queres que te faça um desenho?” Na verdade, não se trata de um desenho mas de um vídeo ou, melhor, de três e todos ridicularizam os argumentos típicos usados pelos agressores para justificarem atos como piropos, assédio, apalpões ou violações.

Os vídeos fazem parte da campanha americana It’s On Us e vale mesmo a pena vê-los.

Um dos vídeos tem por cenário um hotel onde o chefe pasteleiro dá os últimos retoques num bolo de casamento. Uma mulher (a atriz Suzy Nakamura) surge, aprecia a iguaria, tira com a mão um enorme pedaço e come-o deliciada. Confrontada pelo pasteleiro, responde-lhe que ele sabia muito bem o que fazia ao criar um bolo tão tentador: é óbvio que estava mesmo a pedir que ela o provasse

A ação do segundo vídeo decorre numa galeria de arte. Duas mulheres falam sobre uma escultura e uma delas (Lilah Richcreek, atriz de Mentes Criminosas) toca-lhe e o vigilante pede-lhe que não o faça. As amigas riem-se, ele volta a pedir para pararem de mexer na obra de arte e recebe como resposta: Sei que está a dizer não só para manter as aparências mas na verdade quer dizer sim”…

 

 

O terceiro vídeo desta “série” It’s Illogical (frase que integra o título de todos os filmes) tem lugar numa loja que vende sanitários. Chega uma mulher (Meryl Hathaway, da série This Is Us) e usa uma sanita para urinar, o empregado repreende-a e pede-lhe para se ir embora ou terá de chamar a polícia. Ela fica indignada, argumenta que teve de agir assim devido a uma necessidade biológica incontrolável e que a culpa é dele ao exibir o que ela precisava para deixar a natureza seguir o seu curso

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Concebidos pela empresa 101 North Marketing & Advertising (que reúne, por exemplo, guionistas e produtores de séries como Uma Família Muito Moderna e programas televisivos como Ellen ou The Tonight Show), os vídeos vieram agora reforçar a campanha It’s On Us. Lançada em 2014 pelo ex-presidente Barack Obama e o ex-vice presidente Joe Biden, It’s On Us tem como objetivo erradicar a violência sexual dos campus universitários, criar um ambiente social em que este tipo de violência não seja tolerada e garantir que as vítimas têm todo o apoio de que necessitam.

Segundo dados divulgados pela campanha, as estudantes são as principais vítimas de violação ou agressão sexual – quatro vezes mais do que os rapazes –, apenas 20% apresenta queixa às autoridades e nove em cada dez conhecia o agressor.

E por cá?

Em Portugal, a última campanha da APAV – Associação Portuguesa de Apoio à Vítima especificamente destinada a universitários transmitia a mensagem “Depois do Não, Pára!” e aconteceu em 2012. As últimas estatísticas desta entidade, relativas a 2013-2015, referem a existência de 1.799 crimes sexuais – 92,5% contra mulheres – mas não permitem perceber quais deles terão vitimizado estudantes do ensino superior.

Em 2016, uma tese de mestrado em Psicologia intitulada “Violência Sexual no Campus Universitário em Portugal”, de Joana Pires Gama, conclui que “é urgente existir intervenção no sentido de prevenir estes ataques, formando os jovens para que desde cedo saibam compreender o significado de consentimento e para que aprendam a lidar com a rejeição, centrando desta forma a prevenção no agressor em vez de ser centrada na vítima”.

Baseada numa amostra de 108 indivíduos, revela que mais de metade (…) esteve envolvido em relações sexuais não consentidas com alguém por pressão psicológica ou ameaças pela parte da outra pessoa, e uma grande parte dos participantes teve relações sexuais não consentidas enquanto estava sob o efeito de álcool”.


Teresa Frederico