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Vestager diz que democracia “não pode ser guiada pelo Facebook”

A comissária europeia para a Concorrência, Margrethe Vestager, defendeu esta segunda-feira,6 de novembro, a necessidade de regular o mercado empresarial com “as ferramentas certas”, evitando que se torne numa “selva”.
“Para nós o desafio é criar as ferramentas certas. Necessitamos de uma concorrência justa para ter um mercado justo” e de “ser rápidos” a atuar, declarou Margrethe Vestager, que falava na sessão de abertura da cimeira de tecnologia e empreendedorismo Web Summit, no Parque das Nações.
A responsável, que estava a ser entrevistada em direto pela editora executiva da publicação digital norte-americana Recode, Kara Swisher, confidenciou que nunca se sente “tão europeia” como quando está nos Estados Unidos, pelas diferenças entre o mercado europeu e o daquele país.
“Construímos um mercado enorme [na Europa], mas é um mercado em que nos preocupamos com o ambiente, condições de trabalho“, enumerou, falando na necessidade de intervir para evitar que impere “a lei da selva, mas sim as leis da democracia”, numa altura em que os Estados Unidos assistem à revogação de vários quadros legais.
Questionada sobre as novas revelações do caso ‘Paradise Papers’, no qual foram divulgados documentos referentes a paraísos fiscais, Margrethe Vestager foi assertiva: “Isso tem de mudar“.
E isso passa, a seu ver, por obrigar os países a divulgar os seus rendimentos, “em nome da transparência”.
Depois das multas aplicadas pela União Europeia à Google, Margrethe Vestager referiu também que as empresas não devem temer a concorrência, exemplificando que “todas as empresas” queriam ter o sucesso desta gigante norte-americana, mas isso implica regras.
“Quando tu cresces, não deves rejeitar os teus concorrentes nem achar que não há mais desafios”, observou, adiantando que aí cabe às autoridades atuarem para “dizerem como é que o mercado tem de funcionar”.
Já aludindo a uma das vertentes da tecnologia, as redes sociais, salientou que “é necessário recuperar a democracia“.
“Não podemos deixá-la [ser guiada] pelo Facebook, pelo Snapchat ou por outra rede social. A sociedade foca-se nas pessoas e não na tecnologia”, adiantou.


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Também presente na ocasião, o fundador da empresa que cria produtos de Inteligência Artificial (IA) Kernel, Bryan Johnson, sustentou que “o futuro é complexo”.
“As coisas estão a mudar muito rapidamente e está a tornar-se incrivelmente difícil lidar com a sociedade“, admitiu, vincando que, ainda assim, é possível lidar com a Inteligência Artificial (IA)sem que esta se torne numa “inimiga”.
A Web Summit decorre até quinta-feira, no Altice Arena (antigo Meo Arena) e na Feira Internacional de Lisboa (FIL), em Lisboa.

Esperam-se quase 60 mil pessoas no Web Summit

Com a presença de 15 mil pessoas na cerimónia de abertura, o evento foi oficialmente inaugurado pelas 20:15, quando o primeiro-ministro, António Costa, e o presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina, carregaram num botão fazendo adivinhar uma festa.
Seguiu-se uma explosão de confetes de várias cores no palco principal da Altice Arena, que se encheu de representantes de ‘startups’ de vários países.
Ali continuou o fundador, Paddy Cosgrave, que se passeava com uma gravata por cima da camisola, e terminou a cerimónia anunciando o início dos programas pelas 09:00 de terça-feira.
Segundo a organização, nesta segunda edição do evento em Portugal, participam 59.115 pessoas de 170 países, entre os quais mais de 1.200 oradores, duas mil ‘startups’, 1.400 investidores e 2.500 jornalistas.

CB com Lusa

Imagem de destaque: Shutterstock