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A nova ministra da cultura francesa editou autores portugueses

Françoise Nyssen foi a mulher escolhida para integrar o governo francês nomeado pelo recém-eleito presidente Emmanuel Macron para tutelar a pasta da cultura.

Reconhecida no mundo da edição de livros, ela é presidente da Actes-Sud, a editora que tem sido responsável pela tradução de autores portugueses em França. Entre outros, estão nos catálogos da editora Agustina Bessa-Luís, Maria Teresa Horta, Filipa Melo, Fernanda Botelho ou João Tordo. Os clássicos de Eça de Queiroz e Camilo Castelo Branco também lá estão. Françoise Nyssen chega ao lugar de ministra do novo executivo que foi apresentado esta quarta-feira, 17 de maio, após nomeação feita pelo líder do movimento independente e centrista En Marche!.

links_CabeloTambém no catálogo da editora da agora ministra consta a obra da jornalista de investigação bielorussa Svetlana Alexievitch, prémio Nobel da Literatura 2015.

Macron cumpre assim uma promessa de campanha ao criar um governo totalmente paritário. O novo presidente nomeou primeiro-ministro Édouard Philippe, que escolheu exatamente 11 homens e 11 mulheres para o executivo. Contudo, se o antigo governo nomeado pelo presidente François Hollande contava com um ministério para os Direitos das Mulheres, este executivo que pugna pela paridade absoluta, irá apenas ter uma secretaria de Estado para a Igualdade.

Entre a arquitetura, urbanismo e os livros

Nascida na Bélgica, em 1951, Nyssen é formada em Ciências pela Universidade Livre de Bruxelas e em Urbanismo pelo Instituto Superior de Urbanismo e de Renovação Urbana. A nível de executivo, a editora trabalhou na direção de arquitetura do ministro belga do Ambiente e das Condições de Vida.

Em 1980, Françoise entrou no mundo da edição de livros e, pela Actes-Sud, torna-se uma das mais prestigiadas empresárias neste setor. Em matéria de reconhecimento, a nova ministra da cultura francesa venceu, em 1991, o prémio Veuve Clicquot para a mulher do ano e é, desde 2008, também comendadora da ordem das Artes e Letras e oficial da ordem da Legião da Honra desde 2013.

Escritora e blogger é secretária de Estado para a Igualdade

Autora do blogue ‘Maman travaille’ [A Mamã Trabalha, em tradução literal], escritora e ativista pelos direitos do sexo feminino Marlène Schiappa foi a escolhida para ser a secretária de Estado para a Igualdade entre homens e mulheres.

Com apenas 34 anos, tem feito carreira em agências de comunicação, mas tem estado atualmente mais ligada ao universo do jornalismo, da opinião e da organização de eventos. Paralelamente, tem feito lobby pelas matérias em torno da desigualdade entre géneros.

Começou no mundo online, onde conquistou popularidade, logo em 2008. Foi, então, nessa altura que criou o blogue onde contava o seu quotidiano: como era lidar com o trabalho, o horário carregado e os desafios da maternidade. É já autora de mais uma dezena de livros em matéria de igualdade de direitos, e um dos mais recentes trata a questão da cultura da violação.

Uma campeã olímpica na pasta do desporto

Haverá também também uma mulher para o ministério do Desporto e a escolha recaiu sobre Laura Flesssel, 45 anos, antiga campeã olímpica de esgrima. A ex-desportista sucede a Thierry Braillard. Curiosamente, há dez anos, Jean-François Lamour também liderou a pasta, sendo ele também um praticante da modalidade.

Imagem de destaque: Reuters

Carla Bernardino