A homossexualidade da primeira-ministra da Sérvia põe em causa a nomeação para o cargo

Ana Brnabic é a primeira mulher nomeada para o cargo de primeira-ministra na Sérvia. O Presidente da República, Aleksandar Vučić, anunciou-o esta quinta-feira, 15 de junho, mas, conforme as leis do país, Brnabic precisa ainda de ver o governo que formar aprovado pelo parlamento, para se tornar a líder executiva. A votação decorre já na próxima semana.

Além de ser a primeira mulher nomeada para o cargo, é também a primeira pessoa assumidamente gay a ter uma posição política de tanto relevo nos Balcãs. A sua orientação sexual já tinha sido motivo de regozijo entre os ativistas dos direitos LGBT aquando da nomeação para o cargo de Ministra da Administração Pública, no ano passado. De acordo com várias organizações, entre as quais a Amnistia Internacional, a Sérvia é dos países em que mais crimes contra os homossexuais são cometidos.

Goran Miletić, um dos organizadores da Parada Orgulho Gay de Belgrado, afirmou ao jornal ‘The Guardian’: “Até em alguns países ocidentais seria uma grande notícia e um sinal positivo se uma pessoa homossexual se tornasse primeira-ministra. É ainda mais importante num país onde 65% das pessoas acreditam que a homossexualidade é uma doença e 78% pensa que a homossexualidade não devia ter expressão fora de casa. A nomeação de uma lésbica é uma mensagem muito positiva.”

Mas a confirmação formal no parlamento da Sérvia pode ser mais animada desta vez e deixar de ser um mero formalismo. Na nomeação para primeira-ministra, o Presidente da Sérvia não se referiu nem ao género nem à orientação sexual de Ana Brnabic. “Eu acredito nas suas capacidades profissionais e profissionais”, disse Vučić.

Só que a oposição já fez saber que vê nesta nomeação uma aproximação ao Ocidente porque a União Europeia tem pedido à Sérvia para rever a forma como os gays são tratados. A confirmar-se, esta alteração poderá ser muito significativa nas relações diplomáticas e no quadro geoestratégico dos países balcânicos, uma vez que a Sérvia tem mantido alguma proximidade com a Rússia.

Dentro da coligação que sustinha o anterior executivo também há oposição à nomeação desta mulher. Dragan Markovic-Palma protagonizou o momento mais anti-gay de todas as críticas, afirmando à Beta News Agency que “Ana Brnabic não é a minha primeira-ministra,” para a seguir referir que não considera “ninguém válido para o cargo a não ser que tenha, pelo menos, dois filhos.”

Ser assumidamente lésbica é igual a defender os direitos dos gays?

E o que diz Ana Brnabic destas e outras críticas que tem sofrido desde a nomeação? “Espero que isto passe em três ou quatro dias e que eu não fique conhecida como a ministra-gay.” O que poderá indicar um papel pouco ativo na defesa dos direitos civis LGBT.

Ana Brnabic tem 41 anos, nasceu em Belgrado, então capital da Jugoslávia, filha de pai croata. Estudou no Reino Unido, primeiro na Universidade de Northwood e depois na de Hull. Regressou à capital da Sérvia, para trabalhar no setor privado, nomeadamente na implementação de uma parque eólico, e teve ligações a várias empresas financeiras dos Estados Unidos da América. Formou a Fundação Peksim que se dedica a conceder bolsas de estudo aos alunos universitários que se queiram formar no Reino Unido.

Em agosto de 2016 foi nomeada para servir, como independente, o governo do conservador pró-russo Aleksandar Vučić, primeiro-ministro até à eleição presidencial de último abril. Ana Brnabica ficou com a pasta da modernização da administração pública, desenvolvendo o e-government naquele país. É membro do grupo ‘Novos Líderes para a Europe’ do Fórum Económico Mundial.

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