“Ainda há preconceito mas o futebol feminino tem evoluído”

A algarvia Cláudia Neto, de 28 anos, tornou-se estrela da seleção feminina de futebol depois de marcar quatro golos em apenas dois jogos. O talento e o facto de vestir a camisola número 7 da equipa portuguesa, tal como Cristiano Ronaldo, fez com que se tornassem inevitáveis as comparações com o melhor jogador de futebol do mundo. Mas ela não se importa. Muito pelo contrário.

“Para mim é um enorme orgulho ser comparada ao melhor jogador do mundo. É uma referência para mim. Não tenho nenhuma referência feminina apesar de gostar bastante de algumas jogadoras”, revelou Cláudia Neto ao Delas.pt.


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Começou a dar pontapés na bola aos 12 anos. Os pais perceberam que tinha jeito. Incentivaram-na a ir mais longe e a lutar pelo seu grande sonho: ser futebolista profissional. Para a maioria das raparigas em Portugal essa realidade não passa disso mesmo, de um sonho. E é tão difícil de concretizar que acabam por desistir. No caso de CN7, como é agora conhecida, tornou-se realidade.

“Nunca pensei que chegaria tão longe. Quando emigrei para Espanha, para ser semi-profissional, comecei a levar o futebol a sério. Passei sete anos da minha carreira no Prainsa Zaragoza e no Espanyol de Barcelona, que ainda eram campeonatos semi-profissionais. Tornei-me jogadora profissional depois de assinar contrato com o Linkoping [clube sueco que representa atualmente]”, explica a jogadora.

“Pensei em desistir algumas vezes”

Cláudia Neto realizou o seu sonho de menina, mas tem plena consciência de que a maioria das raparigas desistem do futebol simplesmente porque são raparigas.

“Não é um caminho fácil, também pensei em desistir algumas vezes, mas o meu sonho era maior do que qualquer obstáculo. É preciso muita força de vontade, acreditar sempre que os sonhos podem tornar-se realidade. Trabalhem duro nos objetivos e nunca desistam”, aconselha a estrela da seleção feminina de futebol.

A adaptação à Suécia, um país tão diferente de Portugal e Espanha, também foi um processo difícil. “Um clima muito severo, com as temperaturas a atingirem os 15 graus negativos. As poucas horas de sol faziam-me muita confusão”, recorda.

“Ainda há algum preconceito”

As mulheres ainda estão longe de dominar o futebol, que ainda é um desporto de homens. Apesar disso, a camisola 7 da seleção sente que algo já mudou nos últimos anos.

“Ainda há algum preconceito, mas acho que o futebol feminino tem evoluído muito e as pessoas já olham para as mulheres que jogam com outros olhos. Em Portugal houve uma grande evolução nos últimos anos”, diz CN7, acrescentando que existem raparigas que jogam tão bem à bola como os rapazes.

Enquanto futebolista profissional, Cláudia Neto treina todos os dias, às 10h00, e alguns treinos costumam ser bidiários. Almoça no clube e aproveita “o resto do dia para descansar”.

Esta sexta-feira a médio do Linkoping vai entrar em campo, no Estádio do Restelo, em Belém, às 18h45, num jogo em que a seleção portuguesa defronta a Roménia. A partida conta para a primeira mão do playoff de acesso ao Europeu de 2017 e a entrada é gratuita.

Além do apuramento para o campeonato da Europa, um dos objetivos de Cláudia Neto para esta temporada é ser campeã pelo clube que representa na Suécia.

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