Marta Guimarães Canário: a vida dela não é uma cadeira de rodas

Lisboa, 23/02/2016 - Marta Guimarães Canário de 40 anos, é paraplégica desde os 15 na sequência de um acidente doméstico. Em entrevista por ocasião do lançamento de um livro em que fala do seu percurso de vida. (Paulo Alexandrino / Global Imagens)
(Paulo Alexandrino / Global Imagens)

“Temos sempre de continuar em frente” e “normal” são duas das expressões mais queridas de Marta Guimarães Canário. Aos 40 anos, ela já não é a menina que ficou paraplégica aos 15 por causa de um acidente com monóxido de carbono, e que continuou a sorrir, com a força e um bocadinho de inconsciência própria da idade.

Sabe os seus limites – conheceu-os depois de uma septicémia grave que quase a matou, aos 29 anos, por causa de uma escara mal curada. Faz mais planos, controla o quotidiano como alguém que tem de andar de cadeira de rodas. Mas faz tudo isso, sobretudo, como ela gosta de dizer, para que a cadeira de rodas não determine o que ela é, não determine a sua vida. Para ser, como ela repete, “normal”.

Agora, com 40 anos, decidiu escrever um livro, motivada pela editora Inês Pinto Queiroz, da Matéria Prima, que a conhece desde os tempos de faculdade. Marta acedeu a expor-se, ela que odiava fazê-lo, para que o seu caso e as suas forças sirvam como ajuda e exemplo para outros. O livro chama-se Ser Feliz É Uma Escolha. Tem como pós título: Nós decidimos ser vítimas ou vencedores. É preciso lamber as feridas e voltar à luta. Foi o que ela sempre fez.

NOTA: Esta entrevista está na segunda pessoa, porque a autora e a Marta Guimarães Canário tratam-se por tu, e não fazia sentido corrigir o tom coloquial com que foi feita.

 

O título do livro é Ser Feliz é uma Escolha. Mas terás mesmo escolhido ser feliz, ou, ao contrário, essa resistência foi o que era natural em ti, aos 15 anos, quando ficaste paraplégica por causa de um acidente com monóxido de carbono libertado de um esquentador na casa de banho?

É uma bela questão. Havia uma médica (no Santa Maria) que, nos dias a seguir ao acidente, disse à minha mãe: “Eu acho que o monóxido de carbono lhe afetou o cérebro, porque ela está tão bem, psicologicamente…Tem de ter havido uma descompensação qualquer “. As mulheres à minha volta sempre foram assim, muito aguerridas, muito guerreironas, abanam mas não caem. Eu não me lembro de parar e dizer: “Marta estás de cadeira de rodas, vais ter que reagir, vais ter de escolher ser feliz com isto.” Foi uma aceitação gradual. Durante muito tempo ainda andei muito em médicos e em tratamentos.

Nunca tiveste aquele momento do wow, vou ficar paraplégica?

Não. Nunca houve isso, nunca existiu, nunca houve um momento do wow, portanto nunca houve um momento de chorar, aquilo que é normal, de ir ao fundo do poço e depois sair – que era o que me diziam em Alcoitão, para fazer. A melhor decisão que, na altura, nós tomámos foi continuar a estudar. Os meus pais perguntaram-me se eu queria parar um ano.

Ficaste quanto tempo no hospital?

Um mês e meio no hospital, quatro meses em Alcoitão. E a minha vida seguiu.

O acidente foi em março. Estavas no segundo período.

Exatamente. Porque isto era uma questão de recuperação, isto era uma fase passada, temporária. E eu disse que queria também continuar a minha vida e isso foi uma decisão, não pensada, mas foi a melhor decisão da minha vida. Porque fiz uma vida normal e fui percebendo que sentada conseguia ter uma vida normal.

Namoravas há dois meses…

Namorei mais sete anos. Estava no 10º no, no Liceu Rainha Dona Leonor, os professores passaram-me para o 11º por unanimidade, porque eu tinha notas razoáveis, apesar de ter uma nega a alemão. Fiz o 12º, fui para a faculdade – Ciências da Comunicação, Universidade Nova de Lisboa. E tudo isto foi normal. Os meus amigos habituaram-se a terem que ir buscar a Marta a casa. Portanto, a Marta continuava a ir mas precisava de amigos.

“Levar a Marta às cavalitas era como trazer um saco de compras que tinham no carro que tinham que levar para casa. Chegava, estacionava com quem estivesse, punha as pernas para fora, abria as pernas, cavalitas, pega no blusão, pega na mochila sobe, sobe, sobe, sobe, maple. Era isto. Agora tudo isto me faz imensa confusão, como é que conseguimos gerir isto tudo?”

A tua casa era difícil…

Em Alvalade, na Avenida da Igreja, em Lisboa. Tinha lances de escadas, a cadeira não entrava em casa, ficava no hall. E eu vivi lá durante 10 anos. Os mais normais do mundo, porque levar a Marta e trazer a Marta às cavalitas era como trazer um saco de compras que tinhas no carro que tinhas que levar para casa. Chegava, estacionava com quem estivesse, punha as pernas para fora, abria as pernas, cavalitas, pega no blusão, pega na mochila sobe, sobe, sobe, sobe, maple. Era isto. Agora tudo isto me faz imensa confusão, como é que conseguimos gerir isto tudo? A minha vida não foi passada em casa, portanto andava sempre de um lado para o outro. Claro, ser independente sempre era melhor, e tivemos de tomar uma decisão e ir viver para a Costa da Caparica, porque era uma casa adaptada, porque era uma casa boa para mim, porque eu gostava do sítio, passava lá férias há muito tempo, mas foi tudo muito normal.

Essa parte, a da independência, foi a que mais te afetou?

Fui sempre tão acarinhada por toda a gente, tão aceite de uma forma tão natural que nunca senti que era um peso. Os meus amigos de todos os quadrantes: faculdade, praia, namorados e família. Tudo o que foi necessário fazer por mim foi tudo feito com tão boa cara que nunca foi um problema.

Mas essa não foi a única prova que passaste. Houve, mais tarde, a septicémia que te atirou para o hospital durante meses, em risco de vida. Também aí foi uma escolha?

Tive ali uma fase em que me fui verdadeiramente abaixo, lembro-me de dizer: não, não é por aqui. Aí sim. Não é por aqui, não é isto que tu queres, a vida é maravilhosa. Tu tens um trabalho à tua espera, tens uma família fantástica. Eu melhorava, e piorava, quando melhorava ia para casa, quando piorava voltava ao hospital. À 4ª vez ou à 5ª vez, disse, se é para eu ir, levem-me rápido. Foi aí que eu disse à minha mãe: “Estou farta disto.” Resposta da minha mãe: “Vai-te vestir e vamos para o hospital”. O primeiro internamento foi brutal, foram logo 2 meses. Foi um choque enorme. Tinha andado 9 meses completamente desleixada, mal disposta, a emagrecer, a curar a ferida, a melhorar e a piorar, a ter febre e a voltar deixar de ter, a ir à médica de família e voltar. Até ao dia em que tive uma convulsão e decidimos: hospital. Já não saí. Aqueles dois primeiros meses, ainda por cima, passei-os num quarto com mais pessoas – eu gosto de estar sozinha no quarto. Sentia que os médicos estavam preocupados, percebia que a minha família estava preocupada.

E escolheste seguir em frente.

Lembro-me de pensar, aí sim: “Espera aí um bocadinho, tu tens que estar bem para conseguir resistir a isto tudo”. E aí é que nós temos que fazer as nossas escolhas. Não é sermos felizes. É continuarmos em frente em vez de ficarmos agarrados às coisas negativas que nos acontecem. Esta que eu tive e estas que eu tenho e outras, todas as outras. Todos os dias temos que tomar decisões de manhã à noite. Pequenas escolhas que eu fui fazendo, algumas inconscientes…

As pessoas podem simplesmente responder: está bem, está.

Mas têm que tentar. Têm que tentar.

Encontras pessoas na tua vida pessoal e profissional que fazem o contrário?

Cada vez menos. Porque eu estou cada vez mais tolerante. Estou é muito mais tolerante à fraqueza das pessoas. À fragilidade das pessoas. Para mim, partir uma unha não é grave, mas pode ser grave para alguém. Eu resolvo facilmente um final de uma relação. Um amor, um desgosto de amor, eu resolvo. Mas tenho que compreender… Estou muito mais disponível, as pessoas quando vinham chorar baba e ranho para ao pé de mim eu dizia – “Tenho lá saco para isso”.

Eras arrogante?

Era, as pessoas não contavam muito comigo para isso. Porque sabiam que eu era de chegar e dizer – “É pá por amor da santa, anda lá para a frente”. Nesse sentido se calhar era um bocadinho arrogante, eu não tinha empatia com as pessoas, não calçava os sapatos delas. Hoje em dia tento pôr-me nos sapatinhos dos outros, estou mais disponível, estou mais atenta aos problemas das outras pessoas.

Foi também por isso que escreveste este livro? Em que te expões tanto? Nem sequer gostavas que olhassem para ti…

É verdade. Atenção que já não me irrita as pessoas olharem para mim. Reparo que olham, porque as pessoas ainda não estão muito habituadas à diferença. Eu habituei-me à exposição, fui-me habituando novamente com o blogue – porque isto começou com o blogue.

Quais foram as reações?

Comecei a perceber que as pessoas gostavam de ler, achavam que era uma escrita muito simples, crua. Reviam-se em algumas situações. Até se reviam nas minhas histórias de infância. Senti que ajudava as pessoas. Incrível, não é? Eu com todo o meu mau feitio, até ajudava algumas pessoas, até o meu mau feitio ajudava algumas pessoas. Comecei a tentar pôr tudo de uma forma mais estruturada para preparar o livro. E pronto. Eu sempre adorei escrever. Sempre escrevi, em caderninhos. Sempre quis ser jornalista porque gostava de escrever e depois houve vários momentos na minha vida em que passei por situações duras e que aprendi imenso, cresci imenso, evoluí como pessoa. Hoje sou muito melhor do que há 10 anos, como pessoa. E não temos o direito de adquirir tanto conhecimento e de não o partilhar, não me serve de nada se for só para mim. E achei que se calhar podia partilhar também este conhecimento ou estas experiências. Não é bem conhecimento, são as minhas experiências com outras pessoas.

“A septicemia fez-me conhecer-me a mim própria. Repensar a vida. Não me tornei esotérica, não me tornei mulher das energias e dos chacras não. Mas aprendi imenso e como me safei, literalmente, escrevi no livro e passei para o livro aquilo que sentia e que aprendi no fundo.”

O livro está pontuado com máximas. Isto implica um grande pensamento sobre ti própria. Pensas muito sobre ti própria?

A ideia não foi minha, mas foi uma sugestão, a ideia era chegar ao fim do capítulo e dar algumas dicas para as pessoas poderem avançar, seguir em frente mas prepararem-se para os embates. Foi muito fácil chegar a estas dicas. Habituei-me a pensar nestas coisas. O que é que me faz seguir em frente.

É recente isso ou vem dos 15 anos?

Não, é recente. Vá, toda a minha vida, a partir dos 15 anos não é? Habituei-me a pensar um bocadinho mais do que uma miúda normal. Mas a altura da septicemia foi brutal, foi brutal. A septicemia fez-me conhecer-me a mim própria. Repensar a vida. Não me tornei esotérica, não me tornei mulher das energias e dos chacras não. Mas aprendi imenso e como me safei, literalmente, escrevi no livro e passei para o livro aquilo que sentia e que aprendi no fundo.

A verdade é que, como contas no livro, o mundo tem imensos obstáculos…

Montes de obstáculos que eu sinto mais agora do que na altura em que era uma maluca e… não havia obstáculos. Numa discoteca com três lances de escadas, nunca me lembro de me ter preocupado com isso. Neste momento com quarenta anos, digo ‘hei não vou por aí que é só escadaria. O meu namorado na altura era do râguebi, era um miúdo com capacidade para me ajudar… E as minhas amigas sempre foram muito desenrascadas: somos quatro, dois a frente e dois atrás.

Quando chega a consciência dos obstáculos?

Com a idade, quando começo a trabalhar e a ter uma postura mais profissional, mais independente.

Já não faz sentido as pessoas andarem a carregar-te.

Não ia chegar à beira de um jornalista e dizer faz aí um cavalinho. Ganhei uma maturidade e com ela alguns filtros.

“Era preciso deitar o mundo todo abaixo e construí-lo todo de raiz. E a preocupação devia ser dá para mim dá para todos – há sete biliões de pessoas com mobilidade reduzida. Para cadeira de rodas… quando se faz um piso adaptado, dá para cadeiras de rodas, para canadianas, para bebés, para grávidas…”

E quais são os obstáculos?

Dentro da empresa, a Novabase, tive sempre gente preocupada para tirar os obstáculos da frente. Mudámos várias vezes de instalações e foi sempre necessário contar com a Marta no próximo edifício. Nas Amoreiras, foi uma fase maravilhosa, porque era muito fácil, de elevador. Só houve um problema com a porta, porque não tinha rampa, liguei para uma arquiteta que pôs alguns problemas e disse que na altura havia ali esteticamente uns problemas e eu disse lhe não fale da parte estética que eu fico nervosa. E foi feita uma rampa na torre um das amoreiras uma rampa que ainda hoje lá esta. Acho que agora até está melhorada. Ali eu podia fazer tudo sozinha. Ia ter com as minhas colegas, para almoçar. Descia e vivia um dia normal.

A normalidade devia ser isso…

Mas não é nem aqui nem em nenhum país do mundo. Era preciso deitar o mundo todo abaixo e construí-lo todo de raiz. E a preocupação devia ser dá para mim dá para todos – há sete biliões de pessoas com mobilidade reduzida. Para cadeira de rodas… quando se faz um piso adaptado, dá para cadeiras de rodas, para canadianas, para bebés, para grávidas, para mulheres gordas, homens gordos, pessoas velhas. Há pessoas que não conseguem entrar numa casa de banho.

Mas há regras não há?

Há regras, mas não são cumpridas, não há quem as fiscalize, há quem puna. Há um decreto de lei que diz tudo o que deve ser adaptado, mas depois tem uma cláusula que diz as as exceções. Qualquer pessoa que tenha um advogado medíocre, consegue agarrar-se ali e não faz nada.

(Paulo Alexandrino / Global Imagens)

A partir de que idade é que começaste a pensar, a planear as coisas de acordo com o que podes fazer?

Eu sempre planeei, sempre tive consciência que a minha cadeira não entrava em qualquer lado. Não é a louca que vai para todo lado e a cadeira logo se vê. A partir do momento em que quis estar mais sozinha. Agora já não vou com o logo se vê, vamos levar a Marta ao colo a uma casa de banho. Não. Mais uma vez é uma escolha minha, eu não concordo com a situação atual, vou lutar naquilo que for necessário, possível e dentro daquilo que quero fazer.

Nem tudo… Não te expões muito, nem nessa área.

Há coisas em que não me meto, não faço manifestações. Respeito muito quem faça e quem se dedica à causa, mas eu prefiro fazer doutra maneira. Os meus amigos dizem que o facto de eu ir mesmo quando há degraus, ir bem arranjada e bem-disposta já é um exemplo de eles estarem alerta.

Achas que é por isso que se vê tão poucas pessoas com deficiência na rua?

Porque não há condições para nós andarmos na rua. Esta EXPO que foi feita de raiz é uma vergonha, a calçada à portuguesa que toda a gente adora… Eu estou-me a marimbar para a calçada à portuguesa. Eu não posso ir às zonas tradicionais? Que é isto ai não vamos fazer o elevador para o castelo porque estraga. E eu não vou ao castelo? Acho que as pessoas ainda têm um grande caminho a percorrer, há muito egoísmo, há pouca empatia com os outros.

Qual é o problema da calçada à portuguesa?

É muito irregular por natureza. Não é, por muito que haja muitos Tinos de Rãs a fazer aquilo muito direitinho e muito profissional. A maioria é mal feita e mesmo quando é bem feita é fácil saltar uma pedra. É um obstáculo inultrapassável.

 

“Tornei-me mais exigente com os homens, sim. Tornei-me uma pessoa muito seletiva não entrego o que tenho facilmente. Porque existe pouca gente madura o suficiente para aceitar uma situação destas.”

 

Outro dia estava a ver a telenovela em que volta a haver uma miúda numa cadeira de rodas…

Que é o maior drama. Eu percebo o caminho que os guionistas querem tomar, vêm pôr aqui uma miúda de cadeira de rodas, mas vai ser muito forte, vai superar. Para eles isto é fantástico, para mim não me serve. Eu não quero que a questão da cadeira de rodas seja um tema da novela. Queria tratado de outra forma: uma executiva que se embrulha com dois amantes numa cadeira de rodas. Ou uma mãe de família. É sempre a menina bonita que fica de cadeira de rodas até é aceite pelo namorado Porque a ama profundamente. E são felizes para sempre.

Na altura quando tu tinhas 15 anos namoravas há dois meses. Questionaste isso, foi um tema para ti?

Não. Eu na altura foquei-me na minha recuperação e até dei para trás ao rapaz na altura.

Fizeste o mesmo que as personagens da novela.

Isso é verdade. Quando vi o episódio revi-me um pouco. As nossas energias estão focadas noutras coisas. E depois, tens que perceber, se as pessoas estão mesmo para ficar… e no meu caso com quinze anos…. dificilmente estavam. Agora, eu senti receio se seria por pena ou por medo de comentários então abri a porta.

E ele não se foi embora?

Não e eu também tive muito mérito. Porque eu também não fui nenhuma tonta, de me encostar a box, continuei preocupada fisicamente comigo, portanto também não passou a namorar uma freak. Tinha que haver maturidade do outro lado, mas eu sentia que uma das prioridades foi por o meu lugar a disposição.

Tornaste-te mais exigente depois dessa experiência?

Mais exigente com os homens, sim. Tornei-me uma pessoa muito seletiva não entrego o que tenho facilmente. Porque existe pouca gente madura o suficiente para aceitar uma situação destas. Vejo mais facilmente uma mulher a ser cuidadora, porque aqui existe um lado cuidador, os homens pensam de outra forma, as mulheres tem outro perfil, até culturalmente. Se me aproximar, aproximo, se conseguir resistir, resisto, se não conseguir segue e que se seja o que Deus quiser. Mas se eu puder resisto.

Porquê?

Por medo de magoar, por medo de prender as pessoas, sem saber se estão preparadas para lidar com a situação. É preciso ser muito esperto para chegar aqui.

livro
Ser feliz uma escolha, Matéria Prima, €14,80.

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