E se a moda de não beber leite nos estiver a engordar?

Nos regimes para emagrecer tem sido hábito ao longo de anos introduzir produtos lácteos, sobretudo nas refeições intercalares, naquilo a que se vulgarizou chamar snacks.

Quando falamos de produtos lácteos estamos a falar de leite, de iogurtes e de queijo. Um copo de leite de 2 dl (uma embalagem pequena) varia entre 70 e 110 kcalorias conforme é magro, meio gordo ou gordo. A embalagem de 2 dl de leite meio-gordo, que é prática para levar no saco ou na mochila tem 95 kcalorias. O mesmo que algumas barritas. E é rico em nutrientes, particularmente proteínas e cálcio.

Infelizmente a moda da intolerância ao leite, que só é verdade para algumas pessoas, levou ao comércio de bebidas vegetais que substituem o leite, como é o caso da soja, e que não têm o mesmo valor nutricional e não fazem parte da nossa cultura ancestral. O nosso organismo não foi selecionado para a ingestão de soja ao longo de milénios, porque a cultura deste vegetal não faz parte das tradições da região europeia.

O abandono do leite, dos iogurtes e dos queijos para os snacks pode ser uma perda para os regimes alimentares. E também os intolerantes poderão comer iogurtes e queijo, nos quais ou não há lactose de todo ou existe em quantidades insignificantes.

Para investigar os efeitos dos produtos lácteos sobre a evolução do peso, um grupo de investigadores (Susanne Routiainen e colaboradores) levaram a cabo um grande trabalho de avaliação dos seus efeitos, que publicaram em Fevereiro passado (2016) no American Journal of Clinical Nutrition. A ideia foi avaliar o efeito de consumo de produtos lácteos num longo período em mulheres de peso normal.

Estudaram o que é que se passou com o peso de 18.439 mulheres com idade igual ou superior a 45 anos, sem doenças cardiovasculares, cancro ou diabetes, com peso normal. Seguiram-nas ao longo de uma média de 11 anos, sendo que alguns seguimentos foram até 18 anos, com questionários de frequência alimentar e registo dos pesos. No final, deste conjunto de mulheres 8238 tinham-se tornado pessoas com excesso de peso ou obesidade. Curiosamente aquelas que tinham ingerido produtos lácteos totais ganharam menos peso que as que ingeriram produtos magros e portanto tinham menos risco de ganharem excesso de peso. Concluíram que um maior consumo de produtos lácteos totais tem importância na prevenção de ganho de peso em mulheres de meia-idade ou mais velhas que tenham um peso normal.

Embora inicialmente todas tivessem um peso normal, poderemos pôr a hipótese que aquelas que notavam maior tendência para engordar tenham começado a usar produtos lácteos magros. Mas não há dúvida é que não foi o consumo de produtos lácteos que constituiu um risco de ganhar peso, pelo contrário.

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