Quem são as mulheres que conseguem deixar de ser vítimas

Tina Turner, Kim Basinger, Rihanna e Halle Berry, que quase perdeu a audição, foram todas vítimas de violência doméstica. Aparentemente intocáveis, deram a volta por cima como qualquer outra mulher. De que está à espera para também denunciar?

Não existe um perfil para se ser vítima de violência doméstica e exemplo disso é que até algumas das mulheres mais famosas do planeta tiveram de lidar com agressores. Existem no entanto fatores de risco – comuns às vítimas e aos agressores. Reconhecer os riscos é uma forma de fugir a situações de perigo, mas saiba que há sempre tempo, e estruturas de apoio, para se proteger, pelo menos no nosso país. A União de Mulheres Alternativa e Resposta – UMAR (www.umarfeminismos.org), a Associação de Apoio à Vítima, APAV, além do Graal (www.graal.org.pt) explicam.

Segundo Natália Cardoso, da APAV há três teorias que prevalecem e justificam a criminalidade dos homens face às mulheres. A primeira prende-se com dependências de álcool e drogas A segunda encontra-se ligada à aprendizagem social. Afinal quem cresceu num contexto em que o álcool, drogas e justificam todo o tipo de agressões, acha normal o que para os restantes seria desprezível. Por fim refere as questões socio-culturais que se prendem sobretudo com os estereótipos do que é ser homem e mulher e legitima de alguma forma a violência física.

Já para Eliana Madeira, técnica do Graal, há que estar atenta logo no namoro. “Esse tipo de violências inclui comportamentos que causam dor e sofrimento psicológico, atentando contra a integridade psicológica e a dignidade do outro. São exemplos deste tipo de violência o intimidar, atemorizar e fazer ameaças, por exemplo, de provocar danos à pessoa, de a abandonar, insultar, humilhar, agredir verbalmente, criticar constantemente, impor a sua opinião, como se fosse a única com valor”.

Vítima e agressor

Na opinião de Natália Cardoso, o agressor normalmente é dependente de substâncias, padece de baixa auto-estima e não reage bem a eventuais frustrações, além de sofrer de baixos índices de tolerância às frustrações.

A especialista refere ainda o clima de instabilidade financeira atual: os homens que ficaram sem emprego podem não assumir a nova condição de dependência económica além de que o nível educacional também tem o seu peso.

No que toca à vítima, as vulnerabilidades são múltiplas. O facto de ter crianças e poucas condições financeiras para as manter por exemplo, pode levá-la a adiar a decisão de abandonar o lar. Natália Cardoso aponta ainda “o baixo nível educacional e o isolamento social” como fatores que levam a mulher a suportar os maus maus tratos.

A baixa auto-estima é também um fator a ter em conta. É o que pode fazer a diferença. Porque algumas mulheres não toleram um estalo e outras aguentam uma ou mil tareias ao longo da vida. “Mas não há um perfil definido, refere Natália, tudo depende da estrutura psicológica da pessoa em questão”.

Estruturas de apoio

É preciso no entanto ter em conta que de alguns anos para cá existem inúmeras estruturas de apoio, ao contrário do que o manipulador tenta transmitir.

“As vítimas têm mais direitos do que por vezes pensam”, diz Elisabete Brasil, uma das reperesentantes da Umar”.E devem lutar por eles de imediato nos hospitais e na PSP “Por vezes é que o tempo não é amigo. Por exemplo , diz Elisabate: “A lei prevê que se possa até mudar de emprego, mas isto só acontece se a a entidade laboral tiver possibilidades de o facilitar”.

Por outro lado as vítimas é que têm que provar os maus tratos e nem sempre é fácil conseguirem um advogado da parte da Segurança Social – o pode levar 30 dias. Já ao agressor é atribuído um de imediato Sim, há ainda a responsabilização da vítima se ter permitido o ser.

Mas vejamos: segundo todos os estudos as vítimas portuguesas não têm raça, habilitações literárias ou profissão específicas. E, sejamos realistas, ninguém tem que ser vítima eternamente: hoje Tina Turner que sofreu às mãos de Ike é uma diva. De ele, que faleceu há uma década, ninguém mais ouviu falar. O que nos para então?

 

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