Atitude de Serena Williams divide fãs

Serena Williams perdeu, este sábado, a final feminina do US Open contra a japonesa Naomi Osaka e culpou o árbitro português, Carlos Ramos, pela sua derrota, acusando-o de “sexismo”. Em causa estão as penalizações de que foi alvo: por receber instruções do treinador durante a partida – Serena negou-o, mas o seu treinador admitiu-o depois do jogo -, por ter cometido “abuso verbal”, ao chamar o árbitro de “ladrão” e “mentiroso”, e por partir uma raquete, em fúria.

E estes comportamentos, por mais emoções e sentimentos de justiça invocados, não convencem todos os fãs da tenista. Apesar de muitos a defenderem e continuarem a apoiá-la, outros tantos manifestaram, na página de Instagram da atleta, desilusão e reprovação pelas suas atitudes, criticando o argumento do sexismo e acusando Serena de o usar em proveito próprio. Além disso, referem que, com o seu comportamento, ofuscou por completo o resultado histórico da sua oponente, Naomi Osaka: uma mulher a conquistar pela primeira vez, para o Japão, uma vitória num Grand Slam.

Muitos dos seus seguidores, e amantes de ténis, em geral, não gostaram disso: “magicmooj Queria que ganhasses! Mas ver a Naomi a soluçar enquanto recebia o troféu foi devastador. O melhor dia da vida dela foi arruinado”.

“bgmil Devia ter vergonha de roubar o protagonismo de Osaka”, escreveu outro seguidor.

Há quem questione o que aconteceu a Serena Williams para mostrar tão mau perder.

“beachinbeth.e O que é que lhe aconteceu? Era uma das maiores tenistas de sempre. A minha mãe (que morreu com 66 anos) era uma grande fã sua. Todos aqui jogamos ténis. Mas a sério o que «é que aconteceu???? Por que é que atirou a sua raquete e a partiu quando perdeu????? Isso não parece nada seu @serenawilliams”, escreve um fã, no comentário a uma das fotos mais recentes da tenista, nenhuma delas, porém, ilustrativa do jogo de sábado, 8 de setembro.

Outros distanciam-se do facto de Serena Williams justificar o seu comportamento com lutas que são maiores do que ela: “[email protected] Parem com o argumento do racismo. Eu sou preta. A Serena foi uma perdedora amarga e violenta. Ela descarregou a sua frustração no árbitro e mesmo tendo sofrido uma penalidade grave, a Serena ultrapassou os limites. Ponto final. Há racismo e sexismo reais por aí. O que aconteceu na final do US Open não foi isso.”

Há ainda quem lembre o nome Serena Williams já não é só o ténis e o aponte como razão maior para o nervosismo de Serena. “official_tim_duncan_mvp Sou uma pessoa muito liberal, mas ver uma mimada privilegiada tentar usar o sexismo para desculpar o seu mau comportamento é embaraçoso. Eu sei que tens uma “marca” e é por isso que precisas de mencionar a cada 30 minutos que és uma mãe que trabalha, mas estavas a ser derrotada por isso fizeste uma birra”

Quando se dirigiu ao árbitro para contestar o sinal feito pelo seu treinador, dizendo que dessa forma o árbitro a estava a acusar de “roubar”, Serena Williams usou também a cartada maternal, argumentando que “tem uma filha” e que não é esse o exemplo que lhe dá, o que levou outro seguidor a questionar: “khongphaophong Eu tenho uma filha não roubo. Até parece que se não tivesse, ia roubar?? Muito imatura”.

Serena Williams disse que as violações – e as ofensas verbais – assinaladas pelo árbitro português – a quem ameaçou de nunca mais dirigir uma final enquanto ela vivesse – não teriam sido aplicadas da mesma forma, se ela fosse um homem, aludindo ao tratamento desigual dos atletas de ténis em função do género. Apesar de não ser a única a apontar essa situação – a tenista Alizé Cornet foi penalizada, pelo árbitro pelo Christian Rask, por ter trocado a t-shirt no court, quando os atletas masculinos o fazem regularmente, sem qualquer sanção – para muitos o que se passou no jogo de ontem não encaixa nessa leitura, até porque Carlos Ramos é conhecido por ser um árbitro rigoroso com todos os tenistas, independentemente do sexo, tendo sido alvo de polémica por vários nomes de topo.

Já Serena Williams é conhecida por perder as estribeiras no court, tendo protagonizado, em 2009, um momento particularmente infeliz com o outro árbitro, desta vez, uma mulher. “Juro por Deus que vou pegar no c. da bola e enfiá-la pelo c. da tua garganta abaixo”, cita o DN, lembrando o episódio que aconteceu na derrota frente a Kim Clijsters nas meias-finais do US Open e que envolveu a tenista e uma juíza de linha que lhe assinalou uma falta. Esse episódio é também lembrado nos comentários na sua página de Instagram.

Mesmo assim, Serena Williams conta com o apoio de vários fãs que fizeram questão de a defender dos restantes comentários e de destacar o seu exemplo para as mulheres.

“rachelsteedmiddleton Gostava de a poder abraçar e lhe agradecer por tudo o que faz por todas as mulheres – o seu regresso foi heróico – é uma superheroína a 100% – e vai tornar as coisas mais fáceis para aquelas que vierem a seguir – de uma mãe que está tentar recuperar a sua carreira para outra. Li os artigos e vi o que aconteceu esta semana e queria apenas dizer-lhe que significa tudo”.

Além de fãs, Serena Williams conta também com o apoio da Associação de Ténis Feminino (WTA), que pediu igual tratamento para todos os competidores e treinadores dos circuitos de ambos os sexos, após o incidente na final do Open dos Estados Unidos e também da United States Tennis Association.

Num comunicado divulgado hoje e assinado por Steve Simon, diretor-geral do organismo, a WTA disse “que não deve haver diferença nos padrões de tolerância proporcionados às emoções expressas por homens e mulheres e estamos comprometidos em trabalhar com o desporto para garantir que não haja discriminação. Não acreditamos que isso tenha sido feito sábado à noite”.

Na sequência deste e de outros casos, envolvendo decisões de árbitros durante o torneio, a United States Tennis Association, a associação de ténis responsável pela organização do US Open, veio entretanto dizer que vai rever as suas políticas de comunicação.

Serena Williams contra-ataca e usa tutu no US Open

Serena Williams: “A gravidez deu-me de novo poder”

Imagem de destaque: Danielle Parhizkaran/Reuters