Casa de acolhimento de raparigas em risco pede produtos de higiene íntima

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[Fotografia: Pexels/Mike Murray]

“As pessoas já deixaram de estranhar quando fazemos este pedido. Já começámos a pedir donativos em produtos de higiene íntima há cerca de quatro ou cinco anos, fazemo-lo sempre que podemos e voltamos a fazê-lo agora”, explica Sofia Parente.

A diretora-geral da Casa Mãe do Gradil, entidade que acolhe cerca de meia centena de meninas e jovens em risco – aqui colocadas através dos organismos oficiais e após problema e vitimação de realidades como alcoolismo, prostituição, maus tratos, abusos sexuais e, entre outros, desorganização familiar -, volta a fazer nova convocação para dádivas de pensos e tampões, no âmbito da Semana Nacional da Cáritas Portuguesa e numa iniciativa que também tem chegado às escolas da zona de Mafra.

Sofia Parente, dirteora-geral da Casa Mãe do Gradil [Fotografia: DR]

Tal como a Casa Mãe do Gradil, muitas instituições em Portugal que albergam raparigas e mulheres deparam-se com esta necessidade, tanta vez acanhada. Mas como fazem? “Por vezes, nos Bancos de Bens Doados podem vir produtos dessa natureza, mas quando vêm nunca são, infelizmente, muito expressivos. Por isso, acabamos sempre por comprar”, refere a responsável.

Uma despesa mensal que não sai barata por serem “50 raparigas e por não andarem a controlar quantos pensos ou tampões cada uma usa”. Contas por alto, 150 euros por mês não chegam para suprir esta necessidade. Por isso, Sofia Parente pede para que se olhe para todas as estas instituições e se canalize de forma mais eficaz tipos de ajuda desta natureza e que nem sempre estão nas prioridades.

Para já a regra da Casa Mãe do Gradil é clara: em todas as campanhas que organizam, que integram ou contactos que recebem os produtos de higiene menstrual são tema. “Somos uma casa de mulheres para mulheres, as nossas colaboradoras são femininas, portanto vamos lá falar sem tabus nem preconceitos porque precisamos destes produtos e não há sistemas articulados de apoio para entidades desta natureza”, reitera.

Mais pensos e menos tampões.
Copos menstruais? Talvez seja melhor não

Se quiser participar na campanha e ajudar com este tipo de donativos, pode fazê-lo nos contactos que deixamos abaixo.

Porém, antes de ir às compras, este é um dos temas em que ajudar apenas não basta, urge mesmo saber como. Por isso, Sofia Parente deixa alguns cuidados a ter para que não haja desperdício. “Nós compramos muito mais pensos higiénicos do que tampões porque muitas das nossas raparigas nem sempre têm a noção corrreta do seu corpo, de como usar. E em questões de abuso sexual, qualquer solução que tenha a ver com a introdução pode ser muito complexa para as raparigas”, alerta a diretora-geral.

Casa Mãe do Gradil [Fotografia: DR]

A esta realidade junta-se a uma outra: a dificuldade de lidar com produtos que não sejam descartáveis e que exijam esterilização como, por exemplo, os copos menstruais. “Tudo o que não seja descartável vai dificultar o uso junto desta população mais adolescente”, vinca Sofia Parente.

Seja através da ajuda individual ou empresarial, veja como fazer:

Casa Mãe do Gradil

Rua 1º de Maio
2665-103 Gradil
Telf: (+351) 261 961 232
Fax: (+351) 261 962 667
Email: [email protected]