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Contributos de outubro para aumentar o Índice de Felicidade Escolar

Outubro é o mês de alguns aromas voltarem a dar colo às nossas casas. O cheiro da batata doce no forno, da castanha assada, da erva doce, da canela. Outubro continua a ser o mês do regresso. O mês em que as conversas voltam a entrar nas nossas casas e deixam os bancos de jardim desimpedidos para os pássaros. Outubro, há algumas dezenas de anos, era, para muitos de nós, o mês do regresso às aulas. Para mim era o início de tudo, de mais um ano de escola e de mais um ano de vida.

Nesses anos passados, eu contava os minutos para que o relógio se acelerasse e os “senhores da televisão” finalmente anunciassem a mudança da hora. Eram os dias de momentos de libertinagem de “saída à noite”. Uma saída noturna que se resumia a um caminho de volta para casa, quando saía às 18h00 da escola, mas a uma emoção gigante. Hoje, com muitos minutos de vida já contados, desejo que os “senhores” não mudem a hora. Quero ter mais Tempo. Fico com a sensação de que nos retiram a possibilidade de um final de dia tranquilo e ao nosso ritmo.

Neste mês de outubro já muitos dos nossos filhos, estudantes e colegas acordam de noite para ir para a escola e regressam a casa quase sem luz. Quase. Mas neste “quase” cabe ainda muita coisa. Cabe uma enorme aventura com o vizinho, um imenso Tempo de conversa, uma jogatana, uma conversa colorida de amor ou um grande Nada. Pequenas coisas de tamanhos gigantes que fazem de nós seres mais felizes.

A Vida não é a Escola. A Escola faz parte da Vida. E tal como nas nossas Vidas, também desejamos que a Escola nos permita ser mais felizes. Permitimo-nos a estar e a crescer felizes na escola? Eu atrevo-me a dizer que “sim”, queremos todos ser felizes nas escolas: funcionários não docentes, docentes, estudantes, famílias. E digo “não” para acrescentar… “não” é fácil. Porquê? Porque ser feliz não é fácil.

Somos muito exigentes com a altura do teto da nossa felicidade. E tanto na Vida como na Escola para se ser feliz é preciso esforço e compromisso. Provam estudos da neurociência, comparando uma aula meramente transmissiva e a exposição à televisão, que por vezes estar na Escola é só isso, é estar e nada mais acontece no nosso cérebro. Perante uma televisão ligada ou este tipo de aula a atividade cerebral é muito baixa. É uma espécie de “alongamento do neurónio”. No entanto, temos a hipótese de desligar estas “televisões” e rodearmo-nos de pessoas (que podem trazer qualquer aparelho eletrónico consigo, debaixo do braço ou dentro da mochila) que falam, debatem, descobrem, constroem e assim obrigam a que a atividade cerebral se eleve aos níveis desejados. Se a isto juntarmos empatia conseguiremos chegar a Índices de Felicidade Escolar nunca antes vistos.

Dá trabalho? Muito. Mas ouvir e olhar cada um, com o seu projeto de aprendizagem e os seus sonhos, dar-nos-á direito a muitas mais sinapses e explosões de dopamina dentro das nossas escolas, mesmo que para isso tenhamos de acordar de noite e chegar a casa quase sem luz.