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E se não houvesse propinas na Faculdade?

Tal como o Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, afirmou, o Ensino Superior garante aos jovens melhores empregos e, por isso, deveria ser mais acessível a todos. Mostramos alguns dos empregos onde se ganha mais após sair da Universidade.
Gerente de contas: é responsável pelo atendimento de determinados clientes de uma empresa. Recebe, em média, 34 mil euros por ano
Engenheiro de software: é responsável por desenvolver os sistemas de software das empresas. Recebe, em média, 55 mil euros por ano
Analista de negócios: procura as melhores oportunidades de negócio, analisa tendências, cria novos produtos e recria produtos existentes. Está sempre preocupado em encontrar novos caminhos para a empresa. Recebe, em média, 41 mil euros por ano
Responsável pelo serviço de apoio ao cliente: trata do atendimento ao cliente de uma determinada empresa. Recebe, em média, 24 mil euros por ano
Assistente administrativo: presta apoio na área de gestão de empresas, focando-se especialmente na área da administração financeira, processos operacionais e logística. Recebe, em média, 27 mil euros por ano
Recrutador: especialista em procurar profissionais talentosos numa determinada área. Recebe, em média, 27 mil euros por ano
Consultor: resolve as necessidades dos clientes e é um excelente negociador. Recebe, em média, 50 mil euros por ano
Analista bancário: colabora no processo de análise de clientes de um banco e mantém uma estreita ligação com os diversos departamentos da empresa. Recebe, em média, 59 mil euros por ano
Designer gráfico: programa, projeta e organiza vários elementos com o objetivo de produzir imagens destinadas a comunicar mensagens específicas a determinados grupos
Staff accountant: trata das finanças e do departamento de contabilidade. Recebe, em média, 34 mil euros por ano

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E se fosse possível entrar na faculdade sem ter despesas acrescidas como as propinas? Foi isso que esta terça-feira, dia 8 de janeiro, foi defendido por Manuel Heitor, Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, numa conferência que decorreu no ISCTE-IUL. A proposta é a de que existam políticas que garantam a redução dos custos das famílias com filhos no ensino superior, admitindo-se a possibilidade do fim das propinas.

Durante a sua intervenção na Convenção Nacional do Ensino Superior 2030, Manuel Heitor relembrou os ideais europeus que garantem a frequência no ensino superior sem sobrecarga para as famílias, o que não acontece em Portugal. Será que sabias que, pelo menos, nos últimos três anos tem havido mais incentivos e ajudas no Ensino Superior, como por exemplo, na distribuição de mais bolsas escolares? Em 2015 as bolsas abrangiam 64 mil pessoas e atualmente chegam a mais de 80 mil estudantes.

Ainda assim, “não chega” e a mudança não é para já. Manuel Heitor espera que o fim das propinas não esteja assim tão longe: dentro de 10 anos. Para o político, dentro de uma década este já será um “cenário favorável”, mas há um desafio. Esta ação só será possível com “um esforço coletivo de todos os portugueses”.

“Hoje temos a certeza que aprender no ensino superior garante acesso a melhores empregos. Temos que alargar essa possibilidade a mais jovens, reduzindo os custos diretos das famílias“, defendeu o Ministro. (Na galeria deixamos alguns exemplos dos empregos mais bem pagos, para recém-licenciados)

Sim, Portugal é mesmo um dos países que mais sobrecarrega as famílias no que respeita às despesas da universidade. “Estamos onde não devíamos estar na promoção da igualdade. Temos propinas acima da OCDE [Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico]”, concluiu Pedro Teixeira, investigador do Centro de Investigação de Políticas do Ensino Superior. O investigador acrescentou ainda uma outra informação importante para todos os alunos: esta é “uma situação que piorou entre 2010 e 2015”, sendo que os recursos investidos no Ensino Superior em Portugal estão muito “abaixo da OCDE”.

Ainda que possa existir a ideia de que quase todos os jovens entram para a faculdade, não é bem assim. Apenas metade dos jovens em Portugal são formados, muitos deles também por falta de apoios.

E se as estatísticas apontam para que haja um crescimento de três vezes mais estudantes em todo o mundo, então as instituições portuguesas devem também apostar num ensino focado em várias línguas – recordemo-nos de todos os estudantes de Erasmus, e não só, que têm vindo a passar pelas Universidades portuguesas nos últimos anos.

Mas Manuel Heitor e Pedro Teixeira não parecem ser os únicos a concordar com esta medida. Também o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, afirmou concordar “totalmente” com a ideia de se caminhar para o fim das propinas no ensino superior e defendeu que a educação é uma matéria de regime e não de legislatura.

Desigualdade salarial começa na escolha do curso