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Ivanka e o discurso feminista: a força de que Donald Trump precisava

Ivanka Trump tem 34 anos

Foi uma das maiores surpresas da Convenção do Partido Republicano. Esta quinta-feira à noite, Ivanka Trump, a filha mais velha do candidato presidencial, subiu ao palco para protagonizar um discurso empolgante, enaltecedor das qualidades do seu pai e do interesse do mesmo em combater a desigualdade de género e a discriminação das minorias – temas que, a avaliar pelas sondagens e pelos discursos de Donald Trump na pré-campanha, são o seu ponto fraco.

A empresária de 34 anos descreveu a firma que ajuda a gerir, ao lado do pai, – a Trump Organization – como um lugar onde “as mulheres são pagas justamente pelo trabalho que fazem e onde uma mulher é apoiada quando se torna mãe, e não discriminada”. Ivanka assegurou que, se o candidato republicano se tornar Presidente dos EUA, vai “mudar as leis do trabalho que foram implementadas quando as mulheres ainda não eram uma porção significativa da força de trabalho”. Isto porque enquanto os “políticos se limitam a falar de igualdade salarial”, Donald Trump “colocou isso em prática durante toda a sua carreira”, frisou Ivanka.

O milionário de 70 anos já foi várias vezes criticado, e publicamente, pelos seus critérios de seleção de funcionários e pelo tratamento às mulheres nas suas empresas. Mas Ivanka garante que esse é um processo de “verdadeira meritocracia”. “Ele não vê cores, é neutro em relação ao género e contrata a melhor pessoa para o trabalho, ponto”.

Os defeitos e as críticas que tão frequentemente são apontadas a Trump não são, na opinião da jovem herdeira, importantes para esta equação. O que realmente importa, diz ela, é sua dedicação e preocupação para com o país. “Estou aqui para vos dizer que este é o momento e que Donald Trump é a pessoa que vai tornar a América grande outra vez. Vi-o lutar pela sua família, vi-o lutar pelos seus funcionários, vi-o lutar pela sua empresa e, agora, vejo-o lutar pelo nosso país. Quando têm o meu pai do vosso lado, nunca têm de se preocupar com a desilusão. Ele vai lutar por vocês, todos os dias, a toda a hora, sempre”.

Donald Trump e a filha juntos na Convenção do Partido Republicano

Donald Trump e a filha juntos na Convenção do Partido Republicano

O discurso que muitos já consideram o melhor desta Convenção do Partido Republicano pode ter levado a plateia ao rubro, mas parece não ter tido o mesmo impacto junto da imprensa. “Este pedaço do discurso da Ivanka foi lindamente entregue, foi convincente e certeiro. Também foi, no que diz respeito ao seu pai, uma enorme asneira. Se Ivanka Trump está a tentar fazer parte da equipa presidencial que moderniza as nossas políticas de trabalho, económicas e sociais, no que toca ao papel das mulheres na força de trabalho, então devia telefonar à Hillary Clinton”, frisa a ‘New York Magazine’.

A revista ‘Time’ também destaca o “argumento invulgarmente feminista para uma convenção republicana, que poderia ter sido usado por Hillary Clinton”, mas dedicou grande parte do seu artigo a elogiar a postura de filha de Trump. “A Ivanka provou ser a sucessora mais eficaz do seu pai, roubando todas as atenções numa convenção que, até esse momento, foi marcada por falta de energia, manchada por plágio e repleta de divergências”.

Já o jornal ‘Independent’, nota: “Se o paizinho receber os votos para a Casa Branca, nem o olhar suplicante de Ivanka vai impedir Trump de abandonar os aliados da NATO, de construir muros e de deportar milhões de muçulmanos. A verdadeira razão pela qual os americanos odeiam amar Ivanka é preocupante. Ela fez emergir o equilíbrio e a credibilidade da campanha do seu pai, e pode muito bem ser a sua salvação”.

Carolina Morais / Fotografias: Reuters