Ivo Faria: “No escutismo, tratamos e somos tratados como verdadeiros iguais”

Tem 43 anos e é o chefe Nacional do Corpo Nacional de Escutas. Em declarações ao Delas.pt, Ivo Faria é o responsável máximo pelo movimento que reúne atualmente mais de 71 mil crianças, jovens e adultos . Em vésperas de abrir o pórtico para o maior acampamento nacional (ACANAC) de sempre – com mais de 21 mil inscritos – e que começa esta segunda-feira, 31 de julho, em Idanha-a-Nova, o chefe Nacional fala dos rapazes e das raparigas e da forma como o escutismo misto quer educar para a igualdade.

Quanto a este ACANAC 2017, Ivo Faria explica que se pretende “realçar a intenção de fortalecer nos nossos rapazes e raparigas um sentido de compromisso e responsabilidade pelo nosso planeta, o bem comum, as comunidades quem os rodeiam”.

Há quanto tempo está no escutismo?

Tenho 43 anos e sou escuteiro desde 1979.

Em que é que o escutismo contribuiu para a formação e vida? E no respeito para com a mulher?

O escutismo, desde há muito tempo, trabalha o desenvolvimento das crianças e dos jovens em grupos pequenos com elementos de ambos os géneros. Por esse motivo, criam-se oportunidades para um verdadeiro desenvolvimento equilibrado e no qual todos são chamados a tomar parte e a assumir as mais variadas responsabilidades pelo bem-estar do grupo, sem atender ao género.

Em que é que o escutismo misto potencia ou não as mulheres?

O escutismo misto, ou como nos designamos, em coeducação, permite que todos e todas possam assumir todos os papéis num pequeno grupo, desde líder, financeiro, secretário, repórter, animador, responsável pelo material, intendente, Socorrista, cozinheiros, etc, etc. Isso faz com que todos tenham oportunidade de se sentirem responsáveis pelo todo. Dado que em geral, as idades são as mesmas entre rapazes e raparigas num determinado grupo, significa na prática, que tendencialmente nas idades intermédias, dos 10 aos 14 e dos 14 aos 18, existe uma preponderância de líderes raparigas, dado que demonstram em regra ter níveis de maturidade mais evoluídos do que os seus pares rapazes.

Que exemplos concretos de momentos vividos no CNE que terão sido decisivos na aprendizagem para a sua vida e na relação com as mulheres?

Do meu contacto com raparigas e agora mais tarde com voluntárias adultas, noto uma complementaridade muito forte e que enriquece de forma decisiva as ações e decisões que são tomadas nas atividades. Há hoje uma paridade tão grande entre homens e mulheres que nos esquecemos dessa identidade distinta na hora de atribuir estes momentos decisivos… somos de facto tratados e tratamos como verdadeiros iguais, rapazes e raparigas, homens e mulheres

O que podemos esperar deste ACANAC nesta matéria?

Queremos realçar a intenção de fortalecer nos nossos rapazes e raparigas um sentido de compromisso e responsabilidade pelo nosso planeta, o bem comum, as comunidades que os rodeiam. Todos, sem exceção, somos chamados a tomar parte na construção de um mundo mais sustentável, onde cada um de nós é capaz de ir ao encontro do outro e nele se encontrar a si próprio.

Imagem de destaque: DR