Pode a secura vaginal chegar antes da menopausa?

Embora seja mais comum na menopausa, a secura vaginal pode surgir em qualquer idade, garantem os especialistas. E, quando não tratada, facilmente compromete a saúde, o bem-estar e a vida sexual das mulheres com baixos níveis de lubrificação vaginal.

Mas antes de se passar à cura, identifiquemos os responsáveis. A culpa é normalmente das hormonas, ou melhor dizendo… da falta delas. A ausência de estrogénio e de testosterona “vai fazer com que a vagina se torne mais seca, ficando atrófica”, começa por explicar a ginecologista e obstetra Sílvia Roque ao Delas.pt. E prossegue: “A pele fica mais fina e com menos elasticidade, os vasos sanguíneos ficam mais à superfície, há um estreitamente da vagina e uma diminuição da lubrificação”.

Com os tecidos que revestem a vagina mais sensíveis e desidratados, as relações sexuais tornam-se mais dolorosas, há maior probabilidade de contrair infeções e é normal existir um constante desconforto vaginal – porque além da lubrificação sexual, a vagina possui uma lubrificação própria, “responsável por manter toda a flora vaginal limpa e livre de impurezas”, refere aos Delas.pt Carmo Gê Pereira, educadora e conselheira sexual para adultos.

Mas existem outros vilões nesta história, informa o site Medical News Today. Além de problemas hormonais – a causa mais comum na menopausa – também os medicamentos para curar uma simples gripe podem influenciar os níveis de lubrificação. Feitos para acabar com as secreções, estes anti-histamínicos, não só secam as secreções nasais como também as vaginais. O mesmo perigo está também presente em alguns antidepressivos compostos por hormonas que acabam por ressecar a zona vaginal, diminuir o desejo sexual e dificultar o orgasmo.

Existem ainda doenças, como o síndrome de Sjörgren, que provocam inflamação das glândulas salivares e lacrimais. Também os tecidos que revestem a vagina podem inflamar, levando a uma secura da região íntima feminina.

Todas estas causas afetam o corpo, surgindo alertas vermelhos que permitem identificar uma possível secura vaginal. Além da quantidade de muco vaginal diminuir, sintomas como comichão, sensação de ardor ou irritação devem ser tidos em conta.

O silêncio em torno da secura vaginal precoce

Nem sempre é fácil falar sobre determinados assuntos e este parece ser um deles. De acordo com o Medical News Today, um estudo – Study of Women’s Health Across the Nation (SWAN) – realizado durante 17 anos (de 1996 a 2013), a 2.435 mulheres, revelou que no primeiro ano apenas 19,4% das inquiridas assumiu ter secura vaginal; enquanto em 2013 a percentagem aumentou para 34%.

No entanto, 50% não contou ao médico ter sintomas de secura vaginal e apenas cerca de 4% das que assumiram ter o problema faz terapia para resolver a situação.

A notória falta de acompanhamento médico tem contribuído para que as mulheres, com baixos níveis de lubrificação vaginal, sofram diariamente. Um inquérito de março de 2017, que espelha as perceções das mulheres sobre a atrofia vaginal e os possíveis tratamentos, mostrou que a maioria das mulheres não recebe terapia e que muitas nem sequer sabem que podem pedir ajuda sobre este assunto.

“Algumas [mulheres] experimentam lubrificantes assim que começam a ter dor durante o sexo. No entanto, lubrificantes e hidratantes vaginais não são suficientes, existem terapias vaginais altamente eficazes”, refere JoAnn Pinkerton, diretora executiva da North American Menopause Society (NAMS).

Daí a importância de consultar um médico e detetar o que possa estar mal e qual a origem. “Se a pessoa for ao ginecologista com alguma frequência, o ginecologista também se vai apercebendo disso e vai aconselhando a melhor maneira de evitar ou prevenir certas situações”, indica Sílvia Roque.

Ainda de acordo com a especialista, existem vários produtos, como cremes e comprimidos vaginais, compostos por hormonas tópicas que permitem compensar a falta de estrogénio e testosterona, devolvendo um equilíbrio à flora vaginal: “Estes [produtos] não têm praticamente contraindicações, exceto em casos de pessoas que tenham determinados problemas de saúde, como cancro da mama”, alerta. E prossegue explicando: “São produtos que têm de ser aplicados para a vida toda, normalmente duas vezes por semana”.

Uma outra solução são os “tratamentos de hidratação, dados através de injeções, que mantêm a vagina hidratada durante seis meses”, refere a ginecologista. Para quem preferir métodos naturais, a indicação é manter uma vida sexual ativa para promover a circulação sanguínea na zona genital, o que favorece a hidratação e elasticidade da região. Colocar em prática exercícios de Kegel ou seguir a arte do pompoarismo – exercícios que estimulam os músculos vaginais – também contribuem para uma boa saúde vaginal.

[Imagem de destaque: Shutterstock]

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