Biopsias líquidas mais eficazes a detetar alterações no cancro da mama

As alterações genéticas do cancro da mama metastático são detetadas “com igual ou mesmo com maior sensibilidade com biopsia líquida” que com a sólida.

As conclusões são de um estudo realizado pela plataforma Foundation ACT, da empresa Foundation Medicine de Roche, e foram apresentadas, este domingo, 4 de junho, pelo diretor do serviço de oncologia do Hospital do Mar (em Barcelona, Espanha), Joan Albanell, na 53.ª reunião anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica.

No encontro, que reuniu mais de 30 mil especialistas de todo o mundo, em Chicago, durante o fim de semana, o médico catalão considerou os resultados da investigação “robustos”.


O oncologista admite que, no futuro, será possível prescindir das biopsias sólidas em favor das líquidas, “pelo menos num número importante de doentes”.


A biopsia tradicional (sólida) é um procedimento cirúrgico que consiste em obter uma amostra de tecido para análise laboratorial. É um dos métodos mais utilizados na oncologia como meio de diagnóstico e de referência para posterior tratamento do tumor, mas é invasivo e nem sempre representativo da sua complexidade ou das metástases. Já a biopsia líquida permite aceder ao material genético do tumor requerendo apenas uma análise de sangue, o que a torna num método menos invasivo e útil em cerca de 80% dos casos, nota o estudo da Foundation Medicine de Roche.

Alterações e mutações, as realidades atuais da oncologia
Numa conversa com jornalistas, paralela ao encontro de Chicago, Joan Albanell explicou que uma das limitações com que se confrontaram os investigadores foi o facto de em algumas pacientes não haver “suficiente ADN circulante para poder observar este perfil de mutações“.

Contudo, acrescentou que “na grande maioria podem estudar-se bem no plasma e, inclusive, detetam-se algumas mutações que não tinham sido detetadas ao analisar o mesmo painel de genes no tumor primário“.

Outro estudo realizado com outra plataforma da mesma empresa – Foundation ONU – permitiu perceber que algumas mulheres com tumores de mama triplos negativos têm alterações no gene BRAF, uma mutação que também ocorre em outros tipos de cancro, como o melanoma.

Com dados de mais de 10 mil pacientes com cancro da mama metastático, o trabalho mostrou que esta alteração ocorreu em 1,2% das pacientes, uma frequência que, apesar de baixa, “mostra muito claramente uma das realidades atuais da oncologia”: a presença de alterações moleculares diversas que não são procuradas porque não são muito frequentes, mas que se encontram ao ampliar as sequenciações.

Mudança de paradigma nos tratamentos?
Segundo o médico, esse método é útil para impulsionar ensaios clínicos em que são estudados pacientes com tumores com mutações concretas, independentemente do órgão afetado.

Na Europa, referiu Albanell, está a ser desenvolvido um ensaio clínico internacional para testar fármacos destinados a uma alteração genómica concreta em tumores, para os quais ainda não está aprovada a terapia, assim como para tumores de origem desconhecida, que representam 5% do total.

“Nestes pacientes, não há um padrão de tratamento, pelo que se o resultado do estudo for positivo, poderia significar uma alteração do paradigma do tratamento”, concluiu o especialista espanhol.

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