E se os homens também precisarem de igualdade em Portugal?

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As lutas pela igualdade de género são sinónimos de lutas femininas? Normalmente, sim. Mas qual é o lugar dos homens nestas lutas de mulheres e que papel se espera que passem eles a cumprir num contexto próximo da igualdade? ‘Homens e igualdade de género em Portugal’ é o título do estudo apresentado esta sexta-feira e também de um livro branco que contém as principais conclusões e recomendações para que os papéis atribuídos a homens e mulheres sejam parecidos em todas as áreas da vida.


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Segundo os autores do estudo – na sua maioria mulheres – apesar dos tempos de trabalho fora de casa estarem mais próximos, na esfera privada os homens continuam a serem discriminados: não cuidam tanto dos filhos, não fazem tantas tarefas não remuneradas e não são tão bem aceites as ausências do local de trabalho para se dedicarem à família (licenças de parentalidade, dispensas para acompanhar os filhos ao médico ou jornadas contínuas continuam a ser sobretudo usufruídas por mulheres) e como resultado destas e outras condições as mulheres veem-se impedidas de participar na vida pública e profissional plenamente.

Os autores identificam ainda três níveis de desequilíbrio entre os papeis atribuídos ao género: (1) o desequilíbrio institucional ocorre quando o Estado atribui às mulheres o papel de cuidador dos filhos, por exemplo, dando mais dias de licença de maternidade do que de paternidade; (2) a desigualdade interativa que acontece quando por exemplo uma empresa não reconhece ao homem a necessidade de ir buscar os filhos à escola (o que denuncia uma ideia de pai provedor de sustento e não pai cuidador: (3) a desigualdade social que ocorre sempre que a família ou o pares replicam a cultura dominante e a obrigação dos indivíduos se enquadrarem nos papéis tradicionais (a mãe é que deve ir buscar as crianças à escola, por exemplo). Os três níveis de desigualdade reduzem as possibilidades de realização profissional e pessoal de homens e mulheres.

Lá em casa tudo (a ficar) bem

Há boas notícias neste estudo. Entre 2002 e 2014 a perceção de que trabalho de casa deve ser dividido aumentou significativamente e as gerações mais novas são as que melhor aceitam que tanto homens como mulheres devem fazer tarefas domésticas – na faixa dos 30-44 anos os homens portugueses gostam de dividir tarefas. A perceção positiva da colocação das crianças em creches e escolas precocemente, de modo a que os pais possam retomar a vida profissional também aumentou, mas ao mesmo tempo verifica-se um crescimento dos tempos facultativos das licenças de paternidade – “a partilha de licença parental inicial bonificada, que permite ao pai ficar sozinho com o bebé, também tem vindo a crescer sustentadamente”. É um conceito de masculinidade que se vê crescer a olhos visto: a masculinidade cuidadora e que o estudo refere como entendido pelos inquiridos – homens e mulheres – como um contributo para a alegria familiar e a igualdade dentro e fora de casa. A generalidade dos inquiridos diz também que o bem-estar da criança é afetada quando o homem não participa na sua vida/educação/cuidados.

Mas… há sempre um mas

Nas empresas o cenário é parecido? Há nos ambientes laborais uma defesa dos homens no que toca à importância do papel de cuidador em casa? Não. O estudo conclui que no mesmo período (2002-2014) as empresas continuaram a colocar entraves aos homens querem ter um papel ativo em casa: eles não precisam de sair mais cedo para, por exemplo, ir fazer o jantar, e mesmo no que toca ao direito consagrado na lei do usufruto da licença de parentalidade repartida, muitos homens referem existir um conflito de interesses entre a participação na vida familiar e a na vida profissional e também referem que ao mesmo tempo que contribuem para a manutenção da carreira da mulher, podem estar a penalizar o seu próprio emprego.


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O livro branco agora apresentado propõe, para melhorar este cenário, ações de formação nas entidades empregadoras para criar maior consciencialização para a necessidade de articulação entre a carreira e a família, desenvolver com o Estado um sistema igualitário de licenças de parentalidade, aumentar a rede de creches públicas nos grandes centros urbanos (cuja média de cobertura é menor do que a média do País), aumentar as atividades de enriquecimento curricular nas escolas do primeiro ciclo (1º a 4º ano) de forma a compatibilizar os horários das crianças com os horários dos pais, reorganizar os horários do segundo ciclo (5º e 6º anos), reduzir o período de férias de verão das escolas.

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