Rali das Gazelas: fim de festa

Chegou ao fim a 26ª edição do Rali das Gazelas. Elisabete Jacinto terminou a prova no quinto posto da categoria principal – Experts – depois de uma última etapa de grande nível, em que conquistou, com a navegadora France Clèves, o terceiro lugar. Desportivamente, nada mais a dizer. Foi uma competição dura, com o Volkswagen Amarok a responder como podia às dificuldades do terreno. Mas esta não foi apenas uma competição desportiva. Nunca o é.

O Rali das Gazelas é uma prova de força e de caráter a que se sujeitam, todos os anos, mais de 300 mulheres. Este ano não foi diferente. Tive a sorte de poder acompanhar ao vivo a piloto portuguesa na primeira metade da competição. Com ela percebi as dificuldades de acordar todos os dias às quatro da manhã, de dormir numa tenda no meio do deserto, de passar do frio da madrugada ao calor do meio-dia, de transpor dunas atrás de dunas, de ter pó e areia em cada centímetro quadrado da roupa e do corpo.


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Foi graças a Elisabete Jacinto que fiquei a conhecer a organização de um rali, a vida no bivouac, as casas-de-banho partilhadas, as filas do jantar, as caixas de sobrevivência para o almoço. Vivi tudo por dentro, como se tivesse feito parte da competição. Graças à perícia do português Alberto Gonçalves, que me guiou entre pontos de controlo de passagem e me mostrou como se auxilia uma equipa acidentada, consegui chegar ao local de pernoita de uma etapa-maratona.RAG160402_Essaouira_JLG_010043

Foi nesse local de acampamento, à volta de um conjunto de caixas de plástico que serviam de mesa, que percebi que o rali – este, pelo menos – é muito mais do que uma competição por um prémio. Nestes trilhos, nestas dunas, nestas estradas de pedra solta, foram muitas as mulheres que lutaram contra si, contra o que dizem delas, contra o que tem sido a cultura dominante no planeta. As mulheres que encontrei pelo caminho mostraram-me como é possível enfrentar as dificuldades e ultrapassá-las com lágrimas, sorrisos e unhas pintadas.

Os automóveis acabaram de chegar a Essaouira, na costa atlântica marroquina. Houve festa na praia e entrega de prémios com milhares de pessoas a assistir. As inscrições para a 27ª edição do Rali das Gazelas ainda não estão abertas, mas quase. Não perca tempo, embarque no desafio. Só se vive uma vez.

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