Rita Hayworth, a mulher fatal que sofreu sem ninguém perceber

É considerada uma das atrizes de cinema mais bonitas e sensuais de sempre e o canal TV Cine2 presta-lhe homenagem a partir de hoje e até 4 de Agosto, através do ciclo “Clássicos: Rita Hayworth”. Mas, tal como nos dramas de Hollywood, a história da nova-iorquina, nascida a 17 de outubro de 1918, nem sempre correspondeu ao brilho da das personagens que interpretou.

A certa altura da sua vida, a própria atriz fez uma declaração que se tornou famosa e tornou clara essa distinção. “Os homens deitam-se com a Gilda mas acordam comigo”, disse, referindo-se à sua mais famosa personagem que dá nome ao filme de 1946, realizado por Charles Vidor.

Com ascendência espanhola e irlandesa Rita Hayworth, cujo nome verdadeiro era Margarita Carmen Cansino, nasceu numa família de bailarinos. O avô paterno Antonio Cansino foi bailarino de flamenco (assim como o pai da atriz) e teve academias em Sevilha e Madrid. A dança acabou, inevitavelmente, por ditar o caminho que a jovem Margarita seguiria, ainda que contrariada. Frequentou aulas no Carnegie Hall e tornou-se uma bailarina de sucesso, ao lado de nomes como Gene Kelly e Fred Astaire. Ironicamente, foi dança, da qual inicialmente não gostava, que aliada à representação a levou ao cinema, cumprindo o sonho que a sua mãe tinha para si.

Volga Hayworth queria que Margarita fosse atriz e foi o seu apelido de solteira que a filha usou para entrar em Hollywood. Com o nome de Rita Hayworth e um processo de mudança de imagem, que a levou a submeter-se a uma dolorosa eletrólise para aumentar a testa e mudar a cor do cabelo de castanho para o ruivo que a tornou conhecida, conquistou tudo e todos. Transformou-se numa das mulheres mais desejadas da sétima arte e uma das suas maiores estrelas.

Apesar de rodeada de atenções, sobretudo masculinas, Rita Hayworth não conseguiu alcançar a felicidade no seus relacionamentos e os seus casamentos terminaram sempre em divórcio. Foi casada cinco vezes, a segunda das quais com Orson Welles, de quem teve uma filha, Rebecca Welles. Depois de se separar do realizador, casou com o príncipe Aly Khan, em 1949, tornando-se a primeira atriz de Hollywood, e não Grace Kelly, a conquistar o título de princesa. Desse casamento, Rita Hayworth teve uma filha, a princesa Yasmin Aga Khan, que dirige a fundação Alzheimer’s Disease International.

Foi na casa dessa filha, a cujos cuidados foi entregue, que a atriz viria a morrer, em 1987, vítima, precisamente de Alzheimer. A doença só lhe foi diagnosticada em 1981, mas Rita Hayworth já sofria desse mal desde a década de 1960.

O desconhecimento desse facto fez com que durante vários anos o seu comportamento errático fosse atribuído apenas ao consumo excessivo de álcool. “A melhor explicação que conseguiram arranjar foi [dizer] que ela sofria de demência alcoólica. Ela gostava de beber, mas não bebia assim tanto e hoje acho que o álcool a ajudava a lidar com o facto de saber que estava a perder a memória, e, dessa forma, a sua carreira”, afirma a filha Yasmin Aga Khan, num testemunho que escreveu para o site da Alzheimer’s Organization, sobre o processo de doença da mãe.

Se fosse agora, a princesa não tem dúvidas de que mãe seria diagnosticada mais cedo, uma vez que tinha 50 anos quando os sinais da doença se começaram a manifestar. “Mas estávamos nos anos 70 e não sabíamos o que sabemos agora”, lamenta Yasmin Aga Khan, que criou, há mais de 30 anos, a Rita Hayworth Gala, um evento de angariação de fundos para combater o Alzheimer. Através dele já foram angariados 69 milhões de dólares.

A vida da atriz foi, de facto, mais penosa que a fama que os mais de 60 filmes em que participou poderiam fazer supor. Mas a imagem que perdura na memória coletiva está longe de ser a de uma mulher fragilizada. Rita Hayworth será sempre lembrada como a ruiva flamejante que marcou as décadas de ouro de Hollywood e do cinema, e ainda hoje o seu nome é uma referência cultural. Julia Roberts citou-a em Notting Hill (1999), David Lynch prestou-lhe homenagem em Mullholland Drive (2001) e Madonna no tema Vogue.

Mais do que tudo, são os seus filmes os melhores guardiões da memória dos seus tempos áureos. Uma Loira com Açúcar é o primeiro que o TVCine 2 transmite, hoje, às 22h. Seguem-se, no mesmo horário, as exibições de Modelos (dia 21), Gilda (dia 28) e O Querido Joey (4 de Agosto).

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