Vou ali ao mercado e já venho… com roupa, acessórios e uma vida nova

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A moda dos mercados urbanos, onde se vende de tudo – desde roupa personalizada a óculos de sol da avó -, chegou para ficar e dinamizar a economia local. Para muitos, são lugares de negócio e, para alguns, são até palco de uma ‘nova’ vida.

Já foi tempo em que uma ida ao mercado subentendia trazer para casa um cesto cheio de hortaliças e frutas, entre uma dúzia de ovos do campo. Hoje, nem sempre o cesto faz falta, porque nem sempre o mercado é sinónimo de comida.

Desde o século XII é conhecida, na Europa, a existência de feiras e mercados enquanto locais privilegiados de encontro entre mercadores profissionais e compradores. O século XX e todos os avanços tecnológicos no que toca à conservação dos alimentos, com toda a sua produção massificada e diversificada de bens, com todo o seu controlo de qualidade e rapidez de deslocações de mercadorias, os tradicionais mercados foram perdendo terreno para as grandes superfícies comerciais. Ainda hoje, não é de todo raro verem-se mercados, sobretudo os municipais, cheios de bancas vazias mas a verdade é que têm vindo a ser renovados de forma a ficarem mais atrativos para os visitantes. Aliás, o próprio conceito de mercado tem sofrido alterações e hoje integra a variante conhecida por ‘mercado urbano’.

No ano 2000, os carros não conquistaram os céus, como muitos acreditavam que iria acontecer. A primeira década do novo milénio conquistou, sim, novos públicos para os mercados das cidades e novos artigos a serem comercializados. De cariz mais moderno e inovador, os vulgarmente chamados de mercados urbanos diferenciam-se pelo tipo de produtos que exibem, por darem a conhecer pequenos negócios e marcas, por chamarem novos públicos e, em alguns casos, por reabilitarem espaços urbanos e redefinirem as suas vivências.

A própria figura do vendedor também se tem vindo a alterar. Nunca, como hoje, terá sido tão ‘cool’ vender num mercado. Num mercado destes. Porque são um lugar privilegiado, menos burocrático e dispendioso do que uma loja convencional, há quem aproveite a veia criativa desta ‘montra’ para dela fazer vida. É o caso de Ivone Baptista que, em pequena, “queria ser gestora de sucesso, tipo a Melanie Griffith no filme Working Girl (1988)” e que, em crescida, deixou a gestão de multinacionais para abraçar um negócio próprio que concretiza exclusivamente através da participação em mercados e do online.

“Ganho o mesmo que ganhava antes, mas com muito mais prazer”

Ivone Baptista sempre trabalhou em Tecnologias de Informação; o último cargo foi o de Diretora Comercial Internacional de uma conhecida software house portuguesa. Uma das primeiras perguntas que fazemos – ou que gostaríamos de fazer – quando conhecemos alguém que tenha trocado uma carreira consolidada por uma ‘banca’, é: ‘Ganha tanto dinheiro hoje como ganhavas antes?’ A pergunta foi feita e Ivone respondeu: “sim”!

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Licenciada em Gestão de Empresas, entre profissões tirou dois anos sabáticos para descobrir o que queria fazer. Sabia que para a mesma área não queria voltar. Shopaholic assumida, Ivone decidiu apostar na indústria da moda: “Tudo o que diz respeito a moda motiva-me, alegra-me e faz-me feliz! Criar, e as pessoas adorarem o que crio, põe-me nas nuvens!” Mas foi com os pés bem assentes na terra que fez nascer duas marcas: a Pondi Chains, de acessórios, feitos por ela com a ajuda das sobrinhas; e a Hippielosophie, de roupa, personalizada com a ajuda da mãe e de modistas a quem recorre para conseguir produzir alguma quantidade, ainda que diminuta para garantir exclusividade.

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A experiência ensinou-lhe que “o comprador quer feito à mão e a baixo preço, realidade a que teve de adaptar a sua estratégia:

“Começou por ser tudo 100% handmade, era tudo feito por mim – o que por vezes ainda acontece até porque é que o me mais me dá prazer. Mas no geral, compro em revenda peças de roupa básicas, as quais altero e delas faço peças totalmente diferentes, tornando-as minhas e à imagem da marca. Isto foi a solução encontrada, porque no início quando as fazia 100% handmade ninguém dava o valor certo pelas peças.”

Além das plataformas online, procura os mercados urbanos para dar a conhecer as suas roupas e acessórios. Diz que esta “é uma forma de ter menos custos estruturais e de chegar a mais gente com menor esforço de marketing”. E ainda consegue alcançar “clientela fora da capital, sobretudo aquela que não sonha que existem os mercados urbanos”.

Nas grandes cidades, a oferta deste tipo de mercados é crescente: “Estão na moda seguramente, e acho que vieram para ficar. No entanto, há vários que aos poucos foram desaparecendo porque a concorrência já é muita e as marcas cada vez mais vão escolhendo aqueles que conseguem levar mais gente compradora.”

Para que o negócio seja certeiro há que saber identificar os mercados que melhor funcionam. Ivone demorou cerca de um ano para desenhar e consolidar o seu roteiro, que reúne mercados bem sucedidos e com a clientela certa para as suas marcas.

Negócios à parte, pedimos-lhe para fazer o exercício de apontar as principais diferenças entre a vida que tinha antes, como gestora na área das TI, e agora, como criadora e vendedora das suas criações de moda. Resposta: “Uma diferença que explica tudo: I’m free!”

A escolha de Ivone Baptistas para o mês de outubro:

Dia 1 – The Spot Market (Lisboa);

Dia 2 – Happy Market (Évora);

Dia 8 – Palace Market (Lisboa);

Dia 16 – Mercadito de Palmo e Meio (Leiria);

Dia 29 – Hype Market (Lisboa).

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