Nova Iorque: tudo o que precisa saber sobre a semana de moda

Model Gigi Hadid presents a creation from the Tom Ford Spring/Summer 2018 collection at New York Fashion Week in Manhattan, New York, U.S., September 6, 2017. REUTERS/Andrew Kelly - RC122FCDC150

A decorrer de 7 a 13 de setembro, a Semana de Moda de Nova Iorque abre esta quinta-feira a temporada das grandes semanas de moda do mundo e está pronta para nos apresentar as coleções de grandes marcas e ditar as tendências de primavera/ verão para 2018. Este é um dos eventos mais esperados pela indústria da moda, que movimenta milhares de dólares e que este ano traz algumas alterações, sobretudo quando comparado com a edição pioneira.

Este ano, o calendário de desfiles é mais curto do que o habitual – tem menos um dia. Grandes nomes da moda, como Rodarte, Thom Browne, Proenza Schouler, Lacoste e Altuzarra, que costumavam marcar presença nas passerelles norte-americanas, passaram para as francesas, garantido o espetáculo na Semana de Moda de Paris.

Estes serão sete dias bastante preenchidos, que contam com algumas estreias. É o caso de Mathew Adams Dolan, designer bastante adorado por Rihanna, que está, pela primeira vez, no calendário, com desfile marcado para sexta-feira, dia 8, às 18h. Também a marca Colovos, a cargo dos ex-diretores criativos da Helmut Lang, vai desfilar pela primeira vez, dia 11, pelas 10h30.

Quanto aos espaços, como já tem vindo a ser hábito, a moda espalha-se por toda a cidade, sendo vários os locais que recebem os diversos espetáculos. Este ano, muitos deles vão realizar-se no Skylight na Estação Moynihan, Skylight Clarkson Sq, Milk Studios, entre outros.

Mesmo que não vá até lá, saiba que pode acompanhar tudo através do site oficial do evento. Esta quinta-feira, dia 7, destacamos o desfile de Calvin Klein e no dia 8, o de Jeremy Scott. Para o fim de semana, temos Alexander Wang no sábado e Victoria Beckham no domingo. A semana começa com Carolina Herrera, na segunda-feira, terça-feira é a vez de um nome bem português, Miguel Vieira, e quarta-feira, o último dia, fica por conta de Michael Kors.

A semana de moda de Nova Iorque, que conta já com 74 anos de existência, tem-nos mostrado não só a evolução e o ciclo constante que é a moda, como também é palco das mudanças no mercado deste mesmo setor. A alteração mais recente foi anunciada ainda esta semana e trata-se da recusa de grandes marcas em recorrer a manequins com menos de 16 anos e proibir o uso de roupas muito pequenas – tamanho 32. Além desta alteração, a NYFW já assistiu também à entrada de modelos plus size nas passerelles, bem como ao aparecimento de um novo conceito: “See now, buy now” (“Vejo agora, compro agora”, em português). Uma estratégia adotada, primeiramente por Burburry, mas que rapidamente ganhou adeptos, seguindo-se Tom Ford. Tom Ford protagonizou esta madrugada um regresso à apresentação de coleções para a próxima estação na Semana de Moda de Nova Iorque, depois de um ano ausente e integrando o calendário num desfile que começou pelas 1h00 e que colheu aplausos da imprensa especializada.

Um bocadinho de história

Nem sempre a Semana de Moda nova-iorquina foi como a conhecemos hoje. O primeiro acontecimento do género surgiu no início dos anos 40. Até essa altura, moda era exclusivamente sinónimo de Paris e tudo o que estivesse relacionado com a indústria têxtil tinha lugar, somente, na capital francesa. Mas a Segunda Guerra Mundial veio mudar o panorama.

Os conflitos no coração da Europa, impediram designers, buyers jornalistas e interessados por moda de viajar até lá para conhecer ou dar a conhecer novas ideias. É neste contexto que surge a primeira Semana de Moda em todo o mundo. Chamada de “Press Week” (“Semana da Imprensa”, em português), o evento foi organizado pela publicitária Eleanor Lambert, com o objetivo de reunir, num mesmo espaço, estilistas e jornalistas que viessem a promover a moda norte-americana.

Após o evento, revistas como Vogue e Harper’s Bazaar, que viviam focadas na moda francesa, viraram-se para os designers americanos, promovendo cada vez mais o trabalho destes. Ano após ano, o evento sempre se repetiu, exceto em setembro de 2001, quando Nova Iorque estava em choque por causa do atentado às Torres Gémeas.

Dólares e mais dólares

A Semana de Moda de Nova Iorque foi, desde a sua génese, e continua a ser um dos eventos de moda que mais dinheiro movimenta no mundo. As casas de moda chegam a gastar milhões na preparação de apenas um desfile. A composição do cenário, as luzes, a presença das manequins, maquilhagem, os cabelo, entre outros aspetos, levam os criadores a investir bastante.

Quem não consegue um convite também tem de desembolsar algum dinheiro para assistir aos desfiles. A maioria dos desfiles não permite a entrada do público em geral, alguns apresentam livre acesso e outros apenas mediante a compra de bilhete. Consoante o desfile, tanto podemos gastar 25 dólares (cerca de 21 euros, câmbio à data de hoje), como 60 dólares (perto de 50 euros).

Existem ainda plataformas como a Art Hearts Fashion que participam na NYFW apresentando vários desfiles de diversos estilistas. Aqui, além do bilhete por apresentação, que pode ir de 33 (cerca de 28 euros) a 500 dólares (420 euros), dependendo do desfile, existe ainda um passe, neste caso de cinco dias, que dá acesso a alguns dos espetáculos (pois nem todos são abertos), custa entre 333 dólares (cerca de 280 euros) e três mil dólares (perto de 2.520 euros).

Ao mesmo tempo decorrem inúmeros acontecimentos paralelos, por isso é preciso ter prioridades bem definidas, sendo necessário uma boa gestão de tempo.

 


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