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Há ou não ejaculação feminina? Saiba o que dizem as mulheres

Há ou não ejaculação feminina? Saiba o que dizem as mulheres

Há quem diga que é um mito. Que não existe. Talvez porque, ao contrário do que acontece com o homem, vão faltando provas físicas do prazer no feminino. A pergunta, feita por especialistas e leigos na matéria, subsiste: a ejaculação feminina é real ou nem por isso? As mulheres, ainda que nem todas consigam definir o que isto é ou como é, não têm dúvidas. Para 77,5% das inquiridas pela Glow, uma aplicação exclusiva para o sexo feminino que acompanha o período menstrual e que conta já com mais de 47 milhões de utilizadores em todo o mundo, a resposta é positiva. E vai ao encontro do que diz a ciência.


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Vários são os estudos que se debruçam sobre a matéria. E um dos mais recentes confirma não só que a ejaculação feminina é uma realidade, como avança ainda a existência de dois tipos de ejaculação. O trabalho, publicado pela revista científica Journal of Sexual Medicine, foi realizado em França por uma equipa liderada pelo ginecologista Samuel Salama, do hospital Parly II e contou com a participação de sete mulheres que produziam uma grande quantidade de líquido (o equivalente a um copo de água) quando eram sexualmente estimuladas.

O primeiro passo da equipa foi a recolha de amostras de urina e a confirmação, através de ecografias, de que as voluntárias tinham a bexiga vazia. Depois foi a vez do prazer: às mulheres foi pedido que se excitassem, através da masturbação ou com recurso a um parceiro, até estarem quase a atingir o clímax. E depois foram novamente examinadas com recurso aos ultrassons e feita a recolha do líquido libertado durante o orgasmo.

Um resultado surpreendente foi encontrar, de novo, as bexigas das participantes cheias. Levantava-se então a questão: quer isto dizer que o líquido libertado durante a atividade sexual é urina? Parecia vir da bexiga, que entretanto voltara a encher, e a análise feita ao líquido revelou, no caso de duas mulheres, que não havia de facto diferença entre os químicos presentes na urina e os que se encontravam nesta amostra.

No entanto, em cinco das voluntárias, as amostras eram ligeiramente diferentes. Nelas foi encontrado antigénio específico da próstata (PSA), uma enzima que nos homens é produzida pela próstata e normalmente associada à ejaculação masculina. Nas mulheres, é produzida pelas glândulas de Skene, também conhecidas como a “próstata feminina”.

Ao New Scientist, uma especialista da Universidade de Rutgers confirmou que há então dois tipos de líquidos que podem ser expelidos da uretra feminina: urina e uma mistura da primeira com elementos produzidos pela “próstata feminina”.

Por saber ficou se, de facto, este fenómeno, que continua um quase mistério, serve ou não um qualquer propósito ou função evolutiva. Para isso, é preciso estudar mais.

Carla Marina Mendes