Ivanka Trump diz que é pela igualdade salarial, mas quase ninguém acredita

White House senior advisor Ivanka Trump leads a listening session with military spouses at the White House in Washington, U.S. August 2, 2017. REUTERS/Jonathan Ernst TPX IMAGES OF THE DAY - RC1F0EE2D7B0

Ivanka Trump segura a bandeira das mulheres na administração norte-americana. A primeira filha tem assumido um papel preponderante como defensora das causas femininas desde a campanha eleitoral. Mesmo antes, a empresária era uma espécie de guru das mulheres no mundo empresarial, ou pelo menos tentava ser, no site que dirige. Agora que Donald Trump quer reverter a legislação aprovada por Barack Obama para medir o pulso da igualdade nas maiores empresas do país, a filha do presidente apoia o pai.

O anterior presidente dos Estados Unidos da América tinha tomado medidas para reforçar os poderes da Comissão para as Iguais Oportunidades Emprego que se traduziam, basicamente, na recolha e tratamento de dados das empresas americanas com mais de 100 empregados. Do cruzamento de salários, funções, género, raça e etnia seria possível aferir as reais implicações de cada uma destas características no desenvolvimento da carreira.

Trump, por sua vez, tem vindo a minar os trabalhos desta comissão, retirando dinheiro do orçamento atribuído para o seu financiamento. Em abril, revogou outra medida de Obama que proibia que o governo federal contratasse empresas que não respeitassem as leis de proteção das mulheres no local de trabalho no que toca a assédio sexual e discriminação salarial.

Alta-funcionária da Casa Branca e filha do papá

Questionada sobre a revogação das medidas que tinham como objetivo esbater as diferenças salariais entre homens e mulheres (é público que elas ganham, em média, 20% menos que eles nos Estados Unidos), Ivanka Trump afirmou que acolhia a medida do como positiva. Afinal, afirmou: “acredito que a intenção fosse boa e concordo que a transparência dos salários é importante, mas a política proposta não iria ter os resultados pretendidos (…). Queremos trabalhar com todos os atores relevantes para robustecer as políticas que eliminam a discriminação salarial de género.”

Várias organizações históricas na luta pelo acesso igual aos empregos e aos salários já vieram afirmar publicamente que, embora Ivanka se defina como defensora dos direitos das mulheres trabalhadoras, pouco tem feito efetivamente em sua defesa. Uma delas foi Fatima Goss Graves, a presidente do National Women’s Law Center, que afirmou que “estas medidas enviam uma clara mensagem aos empregadores: se quiser ignorar as diferenças salariais e varrê-las para baixo do tapete, esta administração apoia-o.”