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Mai Kino, a cantora portuguesa que conquistou Londres

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Apesar de ter desenvolvido a carreira no Reino Unido, a cantora Mai Kino, alter ego da portuguesa Catarina Moreno, tem-se aproximado da música portuguesa, participando hoje no minifestival 4×3 em Londres.
Na sua segunda edição, o evento de música portuguesa apresenta quatro concertos de projetos diferentes: Norberto Lobo, Glockenwise, Duquesa e Mai Kino, que editou no ano passado o EP intitulado “The Waves”.
O festival de hoje, disse à agência Lusa, é uma oportunidade para dar a conhecer a música portuguesa moderna, que “ainda é relativamente desconhecida”, à audiência britânica e mostrar a “qualidade das coisas que se começam a fazer por aí”. Na semana seguinte vai atuar no Optimus Alive, que tem lugar entre 06 e 08 de julho, em Lisboa, depois de já ter feito parte do programa do Lisboa Dance Festival, em abril.

“É uma sensação muito boa e estranha, tocar no país onde nasci mas que entretanto se tornou semidesconhecido para mim. Tem sido bom redescobri-lo. Há coisas muito interessantes a acontecer em Portugal de momento e há um ambiente mais aberto e internacional”, confessou a cantora.

Catarina Moreno estudou artes multimédia na Áustria antes de se estabelecer na capital britânica há cerca de 10 anos, onde chegou com “vontade de explorar uma abordagem interdisciplinar a nível artístico”.
Formou-se em artes performativas, que incluem dança e teatro físico, mas só há cerca de 3-4 anos é que decidiu partilhar com amigos as gravações caseiras de duas músicas com guitarra, voz e a mistura de alguns sons que foi gravando no quotidiano. “As ‘demos’ passaram de boca em boca rapidamente, começaram a chegar convites para concertos e colaborações e acabei no estúdio a gravar o meu primeiro EP com o Luke Smith, um dos melhores produtores ingleses, que trabalhou com bandas de que gosto muito, como Depeche Mode, Foals”, contou.
O nome artístico, refere, tem mais do que um significado ou interpretação e constitui também uma homenagem à avó materna. Apesar de ser composta em guitarra e piano, a música de Mai Kino é agora mais eletrónica, resultado das influências da música electrónica experimental que ouviu na Europa Central e no Reino Unido, apontando ainda Björk e Laurie Anderson como referências.
O EP “The Waves” teve boa receção no Reino Unido e internacionalmente, garante, com o single “Burn” em especial a ser partilhado na Internet, subindo ao segundo lugar da Hypemachine, uma plataforma que regista as canções mais comentadas naquela altura.

“Recebia mensagens de pessoas no Japão e de sítios improváveis, a perguntar-me sobre as letras ou a dizer que gostavam da música. Foi muito estranho. Os blogs ingleses e americanos especialmente apoiaram-me muito e escreveram criticas excelentes”, recordou.

Esta projeção ajudou ao convite para tocar em eventos e salas de espetáculos londrinas da cidade onde continua a residir e agora também em Portugal. Apesar de estar agora focada na música, a experiência de Catarina Moreno em vídeo e em dança também tem contribuído para este projeto: foi a portuguesa quem realizou e protagonizou o vídeo para o tema “The Waves”. “Ao criar essa canção, soube exatamente o tipo de universo visual, e que movimento corporal lhe pertencia”, explicou.

Lusa