Candidatas a Miss Peru trocam as (suas) medidas por números de violência doméstica

Se houvesse uma coroa dos direitos humanos todas as concorrentes finalistas à última edição da Miss Peru tê-la-iam conquistado.

O concurso deste ano, que decorreu no passado domingo, 29 de outubro, em Lima, foi especial e serviu para alertar para a violência a que as mulheres peruanas estão sujeitas.

Em vez de apresentarem as medidas dos seus corpos (peito, cintura e anca), as candidatas a Miss apresentaram os números e as estatísticas da violência contra as mulheres no Peru.

Uma das responsáveis pela organização do evento, Jessica Newton, afirmou à imprensa que decidiu usar a edição deste ano para chamar a atenção para a violência de género e para empoderar as mulheres.


Veja, na fotogaleria, cada uma das apresentações das candidatas a Miss Peru.


“Voltei ao [concurso] Miss Peru para o converter numa plataforma que empodere as mulheres e sobretudo que sirva de ajuda contra o assédio, os maus-tratos, a violação e ações semelhantes”, disse ao site ‘Perú 21’

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Além dos discursos das candidatas, durante o desfile em biquíni foram sendo mostradas, nos ecrãs, recortes recortes de jornais e revistas sobre casos de mulheres peruanas assassinadas ou agredidas.

“Voltei ao [concurso] Miss Peru para o converter numa plataforma que empodere as mulheres e sobretudo que sirva de ajuda contra o assédio, os maus-tratos, a violação e ações semelhantes”

Jessica Newton, que foi concorrente neste e noutros concursos de beleza, também quis demonstrar, com esta edição, que os estereótipos associados às mulheres que se candidatam a estas competições estão errados.

“Muitas pessoas assumem que as modelos são tontas. Cabe-nos mostrar o contrário”, disse. Da mesma forma, Newton defendeu que as mulheres devem ser livres de vestirem o que quiserem – e até de se despirem se assim o entenderem – e de terem quantos parceiros quiserem sem que lhes seja apontado o dedo. “É decisão de cada uma”, rematou.