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Hormonas equilibradas, beleza e saúde a vida inteira

A regulação hormonal na mulher é complexa, mas possível através de um estilo de vida saudável, em que a alimentação, o exercício ou a suplementação têm papeis diferentes mas todos importantes.

Depressões, queda de cabelo, unhas quebradiças ou insónias são sintomas de que algo não está bem com a nossa saúde. As causas podem ser várias, mas mais frequentemente do que se pensa trata-se de uma desregulação hormonal. E as hormonas detêm um papel primordial: são as mensageiras químicas que se encontram na corrente sanguínea responsáveis pelo equilíbrio do organismo, produzidas em distintas zonas do corpo como a hipófise, tiroide, hipotálamo, pâncreas, ovários, entre outros. Manter este sistema complexo a funcionar ao longo da vida é um desafio essencial à manutenção da saúde e da beleza.

Exames e principais complicações

“De uma forma geral, uma análise ao hemograma e à TSH (níveis da produção da tiróide), na ausência de sintomas, pode dar uma ideia geral da saúde hormonal da mulher, a partir da adolescência”, explica a nutricionista Carla Fernandes. Mas caso surja algum mal-estar inexplicável “poderemos então ter de avaliar vários outros parâmetros como a tiroxina ou a triodotironina, por exemplo”, diz Carla, “e prescrever e vitaminas como ácido fólico e vitamina B12 e/ou alguns minerais como o ferro, o iodo e o zinco”. No entanto, diz, “cada caso deverá ser interpretado de acordo com a individualidade de cada mulher”.

De qualquer modo, a nutricionista aconselha a todas as jovens, desde o momento em que têm a primeira menstruação, a estarem atentas a dores intensas, ciclos irregulares, acne, pele seca e cabelos secos e quebradiços, alterações de humor, desejos intensos por doces ou salgados ou extremidades do corpo frias. Nesse caso, deve ser feito um perfil hormonal, uma análise clínica específica que pode ser solicitada a qualquer médico de família.

O poder da alimentação e exercício

Ser medicado pode ser imprescindível, mas garantir o equilíbrio de alguém sadio “passa por ter uma alimentação e um estilo de vida saudáveis, em que os produtos naturais e pouco processados são os reis do cardápio”, diz a nutricionista, ressalvando a importância dos hortícolas e frutas sazonais.

No caso dos desequilíbrios mais comuns – hipotiroidismo, o síndrome dos ovários policísticos e fadiga crónica – os alimentos de preferência orgânicos deverão ser cozinhados de forma simples com o sabor acentuado por diferentes ervas aromáticas, como orégãos, tomilho, alecrim, entre outras.

“É também importante adotar uma alimentação de caráter anti-inflamatória, privilegiando cereais integrais e hortofrutícolas orgânicos, peixe, frutos secos e sementes, fontes de ómega 3 e diferentes minerais como selénio e zinco”, diz Carla Fernandes.
“Convém não esquecer o exercício físico, essencial para a gestão de stress e bem-estar e, consequentemente, para o equilíbrio hormonal”. Aliás, o ioga é utilizado na Índia como terapia desde há milhares de anos, e como hormonoterapia no ocidente desde meados do século passado.


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A primeira mulher a elaborar um programa de exercícios voltados para a saúde feminina foi Sitadevi Yogendra (Índia), nascida em 1912 e, mais recentemente, a filha do guru Iyengar, Geeta, editou o best-seller ‘Yoga: A Gem for Women’, seguido por milhares de yoguinis em todo o mundo.

Dezenas de estudos (um dos mais recentes foi publicado no Journal of Clinical Oncology por Janice Kiecolt-Glaser, professora de psiquiatria e psicologia da Universidade de Ohio) provam que esta modalidade favorece o bom funcionamento do sistema endócrino, da tiroide e da hipófise através da prática de alguns ásanas (posturas). Depoimentos de mulheres no climatério que desenvolvem com frequência esses exercícios relatam inúmeros benefícios: a menopausa torna-se menos dolorosa e muitas delas dispensaram o uso de hormonas químicas. Mas a yogaterapia hormonal não favorece única e exclusivamente mulheres na menopausa; ameniza os sintomas e transtornos da TPM, como a melancolia ou a síndrome do pânico.

Em Portugal ainda são pouco comuns as aulas especificamente elaboradas para o efeito, mas esta prática visa, de qualquer modo, equilibrar o sistema endócrino, pelo que não tem nada a perder em frequentar as vulgares. Por outro lado, pode sempre pedir ao seu instrutor técnicas específicas para fazer em casa, sendo que na escola Alba, em Lisboa, existe anualmente um curso de yogaterapia com um módulo vocacionado para os ásanas que visam o equilíbrio hormonal.

Peculiaridades da menopausa

“Durante a menopausa não se pode descurar a alimentação saudável mantida a par com uma vida fisicamente ativa para que haja manutenção da massa muscular e preservação da massa óssea”, alerta Carla Fernandes. De entre os alimentos essenciais já mencionados destaca a importância das sementes de abóbora, linhaça, sésamo, girassol; das frutas cítricas como limão e laranja, dos frutos vermelhos, como framboesas, mirtilos, amoras e uvas; das fontes proteicas como ovos, peixe, feijões, lentilhas, grão-de-bico; frutos secos como nozes, amêndoas; e das boas gorduras, como abacate, azeite e óleo de linhaça. Além, claro, da água para garantir a hidratação da pele e órgãos. “Trarão boas fontes de nutrientes, não apenas na menopausa mas ao longo da vida de uma mulher que se quer acima de tudo feliz”, conclui.

“Estradiol, progesterona e estrogénios são as principais hormonas femininas, que tal como as restantes a partir dos 35 anos vão diminuindo 1 a 2% ao ano”, alerta o médico Manuel Pinto Coelho. “Ora, é normal que este défice venha a causar sofrimento, mal-estar, aumento de peso e perda de cabelo, principalmente a partir da menopausa, o que seria evitável se se fizesse a modulação hormonal”, garante. “Mas nunca com hormonas químicas, que podem ser perigosíssimas para a saúde e gerar tumores malignos”, alerta. “Já existem no mercado algumas muito semelhantes às produzidas pelo corpo humano – são as chamadas bioidênticas –, reconhecidas mais facilmente pelos recetores do organismo, normalmente obtidas a partir da soja e da gema do ovo”.

A prescrição deve ser individualizada para que as quantidades sejam adaptadas às necessidades de cada paciente. “Somos como uma orquestra e as hormonas devem estar todas afinadas”. E, garante, com as intervenções corretas uma mulher pode chegar aos 50 com a vitalidade dos 30. No entanto, tal como Carla Fernandes, também defende sobretudo um estilo de vida saudável: “Apanhar sol, viver com otimismo e ser feliz é a forma mais segura de garantir um corpo equilibrado e um aspeto luminoso”.

Sara Raquel Silva