Mulheres africanas entre as mais empreendedoras, mas falta financiamento

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[Fotografia: Andrea Picquadio/Pexels]

A proporção de mulheres empreendedoras em África é das mais altas do mundo, mas faltam cerca de 200 mil milhões de dólares de financiamento para mulheres africanas empreendedoras.

A conclusão foi apresentada pela diretora do programa do Banco Mundial Women Entrepreneurs Finance Initiative (We-Fi), Wendy Teleki, na Conferência Novafrica 2022 sobre Desenvolvimento Económico, que termina hoje na Nova School of Business & Economics, em Carcavelos, concelho de Cascais.

Citando dados recentes do Global Entrepreneurship Monitor, Teleki disse que 17% das mulheres nos mercados emergentes são empreendedoras e outras 35% aspiram a sê-lo.

Ou seja, “metade das mulheres nos mercados emergentes veem o empreendedorismo como um caminho para sair da pobreza e entrar na prosperidade”, o que representa o dobro das mulheres que o desejam nos países desenvolvidos.

Em África, acrescentou, o nível de empreendedorismo feminino é mais elevado do que em quase todas as regiões do mundo, seja por necessidade ou oportunidade.

Para Teleki, a importância de as mulheres serem empreendedoras é que a probabilidade de elas empregarem outras mulheres é cinco a seis vezes maior do que se forem homens empreendedores, pelo que apoiar mulheres empreendedoras contribui para gerar emprego, disse a responsável.

Além disso, as mulheres aplicam o dinheiro que ganham nas suas famílias e comunidades, o que promove o desenvolvimento económico.

Apesar destas vantagens, as mulheres empreendedoras têm falta de financiamento, disse a diretora do We-Fi, citando números da Corporação Financeira Internacional segundo os quais faltam 1,7 biliões de dólares (1,6 miliões de euros) de financiamento para mulheres empreendedoras, dos quais 200 mil milhões (190 mil milhões de euros) em África.

Em causa está, defendeu a responsável, o facto de os setores a que as mulheres se dedicam — nomeadamente o dos serviços ou do comércio – produzirem menos lucros e serem, portanto, menos atrativos para os investidores.

Outro fator tem a ver com a falta de mulheres no setor financeiro: “Se houver uma mulher sentada na mesa do investidor a tomar decisões, é duas vezes mais provável” que o investimento seja aprovado.

“Mas há uma grande falta [de mulheres a tomar decisões no setor financeiro] em África”, lamentou.

Teleki explicou que o We-Fi, que pertence ao Banco Mundial e é financiado por 14 governos, trabalha com os bancos de desenvolvimento que financiam projetos em África para que incentivem as instituições financeiras a desenvolverem produtos que sirvam as mulheres mais eficazmente.

Mas também para que olhem para as suas estruturas de gestão e as suas políticas de contratação, porque se sabe que, se não houver mulheres a atender clientes femininas, será menor a probabilidade de conseguirem crédito.