Um carro para mulheres? O novo citadino da Seat não agrada a todas

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15 de setembro. Londres. A Seat organiza a apresentação mundial do novo citadino da marca, o Mii (veja o vídeo acima). O carro mais pequeno do construtor espanhol já existia mas sofreu um revamp que a diretora de comunicação da marca diz responder aos desejos dos consumidores do segmento. Uma vez que 64% dos compradores destes modelos pequenos são mulheres, a Seat desenvolveu uma nova forma de trabalho para chegar à nova versão do Mii e aproximar o carro dos desejos das consumidoras.

O Mii foi criado em parceria com a Cosmopolitan, uma revista feminina internacional, dirigida a leitoras jovens – o media kit da publicação americana demonstra que 34% têm entre 18 e 24 anos. Alargando a janela etária até aos 34 anos verificamos que as jovens mulheres são 58% das leitoras. A caracterização também se faz por nível de rendimento médio individual – as leitoras das revista têm um rendimento médio anual de 26 mil dólares (próximo da média americana), são solteiras na sua maioria, têm estudos superiores. Aliás, a Cosmopolitan US gaba-se de ser a revista mais vendida nas tabacarias das faculdades.

Foi a pensar nas suas leitoras – jovens, com rendimentos médios, solteiras e com interesses na moda (ou não comprariam a Cosmopolitan) – que as editoras da publicação feminina deram o brieffing criativo à Seat. O Mii tem alguns detalhes fáceis de relacionar com revista – um suporte para o eyeliner e uma luz que se abre quando a condutora se quer ver no espelho da pala (o que a maioria dos carros de alta cilindrada já têm há anos), um sensor de marcha atrás para facilitar nas manobras (que o Ibiza que testámos também tem, por exemplo).

O departamento de design desenvolveu as cores da carroçaria, dos estofos e do tablier de acordo com esse target. Veja o vídeo em baixo para saber mais detalhes.

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Acusações de sexismo por causa do conceito carro para mulheres

A apresentação do novo Mii foi feita no FashFest – evento paralelo à Semana da Moda de Londres – e a plateia era composta sobretudo por mulheres, na sua maioria jovens. O carro recebeu aplausos e elogios nessa noite, mas à medida que as notícias sobre a novidade automóvel foram sendo publicadas, as reações negativas começaram a surgir nas redes sociais.

Os estudos de marketing referem que as mulheres estão mais disponíveis para comprarem carros com cores mais vivas e o departamento de design de cor da Seat é liderado por duas mulheres, Caro Gomez e Amanda Gomez (ver vídeo) – mesmo assim o Mii da Cosmopolitan está a ser alvo de críticas. Basta escrever a hashtag #thisismii no Twitter e perceber a quantidade de mulheres ofendidas que falam do passadismo e do sexismo desta proposta da Seat. Dizem estas mulheres que este carro perpetua os estereótipos de género como os que dizem que as mulheres gostam todas de cor-de-rosa e que não sabem guiar.

 

Claro que a resposta não se fez esperar: alguns dos utilizadores do Twitter riram-se da indignação e responderam. “Espero que não fiquem tão transtornadas quando aparecerem as calças para mulheres”, pode ler-se num comentário.

 

A indústria automóvel não é conhecida historicamente por tratar bem as mulheres. Modelos hipersexualizadas para vender carros a homens foi a fórmula encontrada pela publicidade para as altas cilindradas, até há bem pouco tempo. Nos Salões Automóveis um pouco por todo o mundo ainda se veem as belas hospedeiras a servir de isco para atrair os visitantes. Nesses casos o sexismo é evidente: a mulher é um acessório decorativo e apenas o seu corpo conta para estar ali.

O novo Mii pôs a mulher no centro do processo de criação – uma mulher específica: jovem, sem rendimentos altos, que não vê o carro como um investimento ou uma expressão do alto status social, isto de acordo com as declarações dos representantes da marca. Estas mulheres são um grupo com características específicas. São um target. Na apresentação à imprensa, em Londres, em que o Delas.pt esteve presente, não se ouviu uma vez a expressão “para todas as mulheres” mas apenas “para mulheres” que pela caracterização dada percebemos serem esse target.

A verdade é que a existência de um carro específico para um determinado target feminino, um carro que é pequeno e colorido, não impede nenhuma mulher de comprar e conduzir uma viatura potente. Por outro lado, sabendo-se que as mulheres têm salários mais baixos que os homens, 15,46% em média na OCDE, isso condiciona certamente mais as suas decisões de compra do que outros estereótipos de género. Será o Mii um problema ou uma solução?

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