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Mulheres são quase metade dos participantes da Web Summit

A organização do Web Summit tinha assumido, em 2016, o compromisso de elevar ainda mais a fasquia na edição deste ano depois de ter aumentado para o dobro a representação feminina no evento. Mas ainda não foi em 2017 que aconteceu a desejada subida.

Este ano, 42% dos 60 mil participantes são mulheres, segundo revelou a organização, esta quarta-feira, 8 de novembro. A percentagem é a mesma alcançada na edição anterior e ligeiramente abaixo das expectativas reveladas na altura por Paddy Cosgrave, fundador da Web Summit, que queria nesta segunda etapa lisboeta da cimeira a representação feminina chegasse aos 43% ou 44%, com a participação de mais personalidades africanas – aumento que também não se verificou.

Ainda assim, e ao manter os números do ano passado, o evento consolida-se como a cimeira, entre as conferências tecnológicas de topo, que mais mulheres atrai.

“Acreditamos que 42% é a percentagem mais alta [de mulheres] numa grande conferência tecnológica. É um grande marco para um evento tecnológico, mas sabemos que podemos fazer melhor”, afirma Eleanor McGrath, do gabinete de imprensa da Web Summit.

Para esta consolidação contribui a iniciativa “Commitment to Change” (“Compromisso para a Mudança”, em inglês), lançada em 2015 para aumentar a participação feminina neste tipo de eventos, que permite às participantes adquirir os bilhetes a preços reduzidos. Empreendedoras, CEOs, executivas, entre outras participantes beneficiam assim de desconto nas entradas, uma discriminação positiva que a organização justifica como forma de combater a desigualdade de género no setor tecnológico.

Mais mulheres conferencistas
Apesar do número de participantes se ter mantido nesta edição, a percentagem de mulheres com destaque na conferência aumentou. Na Web Summit de 2017, são 35,4% as convidadas – num total de 1200 oradores – para falar ou participar em debates na cimeira, refere a organização, comparando com a média de “20% de oradoras que os eventos da indústria tecnológica” costumam ter.

“Trabalhamos arduamente para atingir estes 35,4% e sabemos que podemos fazer mais para melhor o rácio entre os géneros”, diz Eleanor McGrath, que realça que, “num ano em que assuntos como o preconceito, o assédio e o abuso contra as mulheres” fizeram as capas dos jornais, um evento como a Web Summit sabe que “tem um grande papel a desempenhar como parte do ecossistema tecnológico”.

A organização destaca ainda a parceria com a Booking.com, empresa presidida por Gillian Tans, como uma das iniciativas que tem tido especial sucesso entre as mulheres.

Nesse lounge dedicado às participantes femininas, fomentam-se contactos e promove-se a orientação e o networking no mundo dos negócios que envolvem a tecnologia.

O Web Summit termina amanhã, mas até lá há ainda muitas conferências para assistir. Mesmo quem não pode estar presente pode acompanhar em direto alguns dos momentos da cimeira, através do streaming no site oficial.